Navegador Música
30 jan / 2013

Naldo esteve em BH no último dia 26, no Chevrolet Hall. Casa lotada, e a galera foi ao delírio nos momentos de climax do show, quando o carioca canta os hits Amor de Chocolate, Exagerado ou Chantilly.

Marco Aurélio Canonico escreveu para a Folha de São Paulo sobre o sucesso do cantor. Confira.

 

Sentado na cama montada no andar inferior do ônibus leito que acabou de comprar, Ronaldo Jorge Silva, o Naldo, explica que “a van não estava dando mais”. “Era apertada e desconfortável para ir de um show a outro”, diz o cantor, que acabara de chegar de Salvador, rumava a São Gonçalo (RJ) e, de lá, iria a São Paulo e Brasília.

Claramente, este carioca de 33 anos ficou grande demais para uma van. Ele é “o cara” deste verão, graças ao sucesso de canções dançantes como “Amor de Chocolate” e “Exagerado”, com letras que, segundo ele, “falam de amor de uma forma mais quente, mas não vulgar”.

 

 

Naldo está em todo lugar: nas rádios para jovens, na trilha da novela das 21h, nas dancinhas que os jogadores fazem para comemorar gols, imitando suas coreografias, no “Big Brother Brasil”, no show de aniversário de São Paulo e em centenas de outros em boates e festivais.

No próximo sábado, estará de volta à capital paulista para mostrar seu show completo, o “Na Veia Tour”, com cenário high-tech, figurinos iluminados (literalmente) e coreografias variadas.

É um espetáculo no qual vem trabalhando desde 2011 com sucesso crescente, partindo da classe C rumo à elite. “Ele é uma versão ‘sertanejo universitário’ do funk”, diz o produtor Carlos Eduardo Miranda. “É um guri carismático e que trabalha sério.”


HÍBRIDO

“Ele inventou um híbrido de funk com beats da house”, diz o antropólogo Hermano Vianna, citando explicação que ouviu de outro artista popular, Leandro Sapucahy. “Por isso tem grande penetração em pistas que não tocam funk e grande aceitação por públicos que não gostam de funk”, diz Vianna.

De fato, Naldo chegou à classe A. Só na noite do último Réveillon, tocou em três festas caras no Rio, em lugares como a Sociedade Hípica e o hotel Intercontinental; no Carnaval, estará no camarote mais badalado da Sapucaí. E três músicas suas, além do álbum “Na Veia Tour”, aparecem entre os mais vendidos do iTunes Brasil.

Seu cachê acompanhou o movimento: quadruplicou de um ano para cá. Hoje, está por volta dos R$ 120 mil, dependendo do tipo de show.

Quarto filho de uma família de oito, Naldo nasceu e foi criado no complexo de favelas da Maré, no Rio. Evangélico como os pais e irmãos, começou a cantar aos sete anos, no coral infantil da igreja. Graças à influência de uma irmã mais velha, cresceu ouvindo “Michael Jackson, RPM, Tim Maia, Menudos”.  A influência do ambiente o levou ao funk, em dupla com o irmão Jorge Luiz da Silva, quatro anos mais novo.

A dupla Naldo e Lula começou a se destacar em 2005, graças ao sucesso de “Tá Surdo”, que entrou em coletânea organizada pelo DJ Marlboro, com 600 mil cópias vendidas, e gerou um clipe e convites para programas de TV. A ascensão foi interrompida pelo assassinato de Lula em 2009, um crime mal explicado (o corpo foi encontrado carbonizado) e sobre o qual Naldo prefere não se estender.

Após um período de luto, decidiu continuar o próximo projeto que tinha em mente com o irmão, o CD “Na Veia”, lançado de forma independente em 2009. Foi ele que deu origem ao fenômeno. “Muita gente está me conhecendo, mas não conhece minha história de 13 anos na música, tudo que já vivi”, diz. “Eu vou trabalhar para que isso se mantenha, mas é claro que as coisas mudam. Depois dessa grande exposição, tudo depende da maneira como você trabalha.”

 

Palmas para o nosso fenômeno pop! Tivemos a chance de conhecê-lo pessoalmente (a Navegador Música é responsável pela divulgação do trabalho dele nas rádios de Minas Gerais): não perde a alegria e nem a humildade. Cheio de garra e energia, leva o trabalho com responsabilidade e seriedade, ainda que tenha um senso de humor incrível.

 

 

O show de Naldo é realmente vibrante, um espetáculo. Com músicas sensuais e dançantes, não dá para ficar parado. De fato, “a gente sente um calor…” como diz uma  grande amiga.

 

Show em BH, no ano passado.

Naldo está alçando vôos altos, mas não tira os pés do chão. Cuida da carreira, da imagem e tem o maior carinho pelos fãs. Já contei uma história aqui no blog: na ocasião do show acima, que aconteceu em BH, fui levar esse carioca marrento para fazer uma entrevista ao vivo na BH FM, rádio promotora oficial da festa. No caminho, uma fã viu ele dentro do carro e começou a gritar, dizendo que amava ele. Mas não era um fã comum: ela estava de vestido de noiva, provavelmente a caminho da cerimônia. Naldo pediu para o motorista parar o carro. A noiva também parou, e o resultado foi um grande presente de casamento!

 

É ou não é pra apaixonar?

 

 

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