Navegador Música
14 dez / 2012

As mulheres à frente das rádios de Minas Gerais

 

Dedicação, comprometimento e paixão são os ingredientes do sucesso dessas guerreiras que estão à frende das emissoras

É fato que as mulheres, atualmente, ainda sofrem os males do machismo no mercado de trabalho: recebem salários menores, têm dupla ou tripla jornada de trabalho (porque cuidam da casa e dos filhos) e sofrem muita pressão quando assumem cargos de liderança. Ainda assim, as mulheres vão à luta e não perdem a garra e a coragem para conquistarem seu espaço no mundo dos negócios.

Nas rádios, segmento considerado tipicamente masculino, não é diferente: apesar das dificuldades, gestoras rompem tabus para conduzir projetos ousados nas emissoras de todo o país e de Minas Gerais; a paixão que envolve este segmento têm conquistado cada vez mais mulheres e o resultado é que o cenário tem mudado bastante: as emissoras do nosso estado tem ficado cada vez mais femininas! Nilzete, da rádio Super Minas FM de São Gonçalo do Sapucaí, se diz “contaminada” por essa paixão, e continua: “algum tempo atrás conheci duas grandes mulheres, a Rose da SuperSom e a Leid da Módulo FM; me senti bastante honrada e orgulhosa de tê-las conhecido, brinco com elas quando digo que somos as três mulheres mais poderosas do sul de Minas!”.

Conversamos com algumas dessas guerreiras que estão à frente das rádios de Minas Gerais. As histórias são muitas e difíceis, mas fabulosas. Muita água passou por debaixo da ponte e hoje vemos que a realidade tem se tornado menos ríspida, ainda que continue competitiva para nossas mulheres.

Wal Rocha, uma das gestoras da rádio CentroMinas, de Curvelo – que, junto com a diretora geral e coordenadora geral Zinha Rocha faz um trabalho incrível frente à emissora –  diz que há 12 anos vive esse “casamento” com o rádio; “sempre fui uma ouvinte de rádio e admiradora desse veículo, da forma que a informação chega, do poder de entreter, e acompanhar as pessoas em qualquer lugar”. Hoje ela está à frente do departamento de produção de programas e promoções, como produtora executiva, dá assessoria para os anunciantes, com orientações sobre mídia, linguagem, público alvo e criação de campanhas e ainda é locutora pela manhã. “Gosto muito da minha profissão e para começar o dia, ainda entro no ar com O BOM DIA CURVELO, programa que eu apresento há 9 anos”, diz.

Muito tempo? Rose Barbosa, da Supersom de Uberaba, trabalha na rádio há 23 anos! E conta um pouco de sua história: “(…) vivi na fazenda até os 21 anos e, ao sair para tentar ser médica (vestibular), fui convidada pelo proprietário da SuperSom (Arnaldo Prata) a aprender rádio juntamente com ele. Me lembro disso como se fosse ontem. Aqui estou, quase 24 anos depois, ainda aprendendo a fazer rádio”. É uma vida, podemos dizer. Quase o mesmo tempo que Val Tinoco, gestora artística da Paranaíba FM (Uberlândia), que trabalha no segmento há 25 anos: “Comecei como produtora; de tanto dirigir locutores nas gravações, acabei na locução. Já fiz tudo no rádio: repórter de unidade móvel, produção, locução, programação, edição comercial e artística, coordenação de promoção, coordenação artística (…).” Recentemente, Val deixou a coordenação artística das rádios Cultura HD (Uberlândia) e Regional FM (Araguari) para assumir a da Paranaiba FM, rádio 100% sertaneja.

Assim como Wal Rocha, Renata Silva, da rádio Clube de Curvelo, está há 12 anos no rádio e parece ter nascido com o dom da locução. Tudo começou com a rádio comunitária que seu pai dirigia na cidade, com ajuda dela (que virou telefonista da emissora). “Meu pai ia de comércio em comércio para falar que tinha uma nova rádio na cidade, ele me ligava e pedia para que eu falasse a hora certa e o dial para sintonizar, eu só falava porque estava sozinha e ninguém me via, pois eu era muito tímida. Tínhamos apenas 04 CDs para tocar o dia todo. A dona de uma floricultura ouviu a minha voz e falou com meu pai que apoiaria a rádio se eu fizesse a propaganda dela”. Ela ganhou um programa e ficava esperando alguém comprar o horário para ser dispensada da função. Ainda bem que a equipe da rádio decidiu que o horário dela de programação seria invendável! Desde então Renata trabalha nesse veículo e hoje coordena a Clube de Curvelo. Beatris, da rádio Mundo Melhor (Governador Valadares), é a mais nova no segmento, desde 2008. Entrou após sua aposentadoria: “fui convidada a atuar como diretora adminstrativa em agosto de 2008. Confesso que não ouvia rádio, mas como me foi solicitado gerir recursos humanos (motivação) comercial e financeiro, aceitei o desafio”. Claro que, rapidamente, Beatris foi “obrigada” a criar o hábito de ouvir a emissora. Como gerir algo que não se conhece? Ela afirma que logo na primeira semana, viu que não dava para atuar separadamente. E continua: “tinha que conhecer a emissora no todo: programação, técnica, comercial . Daí fui ouvir as duas emissoras: AM e FM”. E fez um ótimo trabalho, a partir de então, mudando a estratégia de gestão da rádio, hoje super bem posicionada na cidade.

Há pontos em comum que unem essas coordenadoras, gestoras ou locutoras das rádios de Minas Gerais. Uma delas, além de serem do sexo feminino, é a paixão pelo que fazem. “Tudo o que tenho foi o rádio que me proporcionou; sou completamente apaixonada pelo meu emprego”, afirma Rose Barbosa. Wal Rocha diz que “trabalhar com que gosta é o que faz a diferença”. Val Tinoco acrescenta que a paixão pelo rádio é o que a motiva: “Amo TUDO. Criar uma promoção, idealizar, escrever o texto, gravar a chamada. Gostaria de ter tempo pra ficar mais no estúdio e fazer produções. Adoro”. “Hoje faço a programação musical com grande esforço e dedicação, e por amor”, diz Nilzete da Super Rádio Minas, de São Gonçalo do Sapucai. Programação esta que deu à rádio destaque na região no segmento de sertanejo. Hoje a rádio Super Minas FM é uma das mais importantes da região.

Mas o final feliz de todas elas foi conquistado à base de muita garra e perveverança. Nilzete diz que passou grandes dificuldades e até boicote por parte dos funcionários. Mas não desistiu: “fui em busca de conhecimento (…). Tenho certeza de que este foi um dos maiores fatores de sucesso da Super Rádio Minas”, afirma.

São muitas as dificuldades para as mulheres dentro desse segmento historicamente masculino, principalmente no interior de um estado tão tradicionalista e conservador como Minas Gerais “(…) o mundo do radio ainda é bem masculino. Na vendas de mídia e na direção, principalmente. A maioria não aceitam que mulheres os dirijam”, afirma Renata Silva, de Curvelo. Segundo Val Tinoco, “dominar o assunto, impor o respeito e respeitar é fundamental. Quando você domina o que faz, ninguém te enrola. Mas quem faz rádio, faz por paixão e isso já une as pessoas geral”.

Além das dificuldades impostas pelo machismo, há outras que são comuns a homens e mulheres. Wal Rocha diz que “(…) as mulheres ouvintes de rádio são mais exigentes e especialmente com outras mulheres. Eram 5 locutores homens e duas mulheres, hoje só eu de mulher no ar”. Responsa, né? Val Tinoco diz que os obstáculos nesse segmento nem sempre estão ligados à problemas de gênero, e explica que os problemas advém de “gestores que criaram históricos negativos; a limitação artística frente aos departamentos comerciais. Minha visão do rádio é: o artístico cria o conteúdo pro comercial vender. Na empresa que estes dois departamentos sentam e conversam e encaram suas fraquezas e aceitam críticas, tudo flui”. Val ainda afirma que, nesse sentido, a mulher tem uma vantagem, pois consegue ter uma visão holística de tudo e, inclusive, do setor. “A dificuldade, na minha opinião não está por ser mulher, mas na forma que donos e diretores encaram a evolução, credibilidade, poder e o que o rádio representa para seus 3 clientes fundamentais: ouvinte, anunciante e artista”.

Há ainda muitos desafios pela frente para quem trabalha no rádio, independente do sexo. “Muitas emissoras, para cortar gastos, assumem uma programação automatizada 24 horas”, diz Renata. E acrescenta que “o ouvinte não quer mais uma rádio automatizada de música e hora certa, e sim uma rádio que faz o papel de companheira no seu dia-a-dia, que aborda assuntos de seu interesse”. Aliás, é isso que fazem as gestoras artísticas: pensam estrategicamente a programação e cuidam dela, para que fique com uma plástica “afinada” e detenha a atenção do ouvinte. “A qualidade nos trabalhos é fundamental”, diz Wal Rocha. “programação bem direcionada. O regionalismo do rádio com uma visão universalizada… contextualizar e não limitar”, continua.

Sem dúvidas, ter uma gestão artística arrojada e alinhada com os interesses comerciais da rádio é fundamental para seu crescimento e projeção no mercado. Como disse Val Tinoco, “o maior desafio é o artístico e o comercial se entrosarem, para [a rádio] ter melhores retornos e vender com criatividade. Este, na minha opinião, é o maior desafio do rádio”. E, plagiando Wal Rocha, “desafios são oportunidades de crescimento”! Nilzete compartilha da mesma visão quando diz que “para quem gosta de superação, os desafios estarão sempre à disposição para serem superados; isso me motiva, pois gosto de desafios”. Tinoco continua: “É um veículo que tem excelentes vendedores, mas que às vezes ficam tão sufocados em ‘bater meta’ que acabam perdendo a criatividade, ou sem tempo de sentar e buscar algo novo para seu cliente. Não estou criticando os contatos, tenho vários amigos que são e admiro, porque sei que todos adoraram entrar na minha sala e conversar sobre como melhorar a entrega pro cliente dele. Infelizmente, isso não acontece em todas as rádios. Eu tive o prazer de vivenciar isso, e o resultado é outro”.

Do lado de fora da “bolha”, ou melhor, além das dificuldades características do setor, é preciso se atentar para o ambiente de negócios. Beatris, da rádio Mundo Melhor diz que é um desafio “acompanhar atentamente o avanço tecnológico, que muito contribui para expansão do rádio”.

Certamente, todas as mudanças que ocorrem no mercado e nas forças que atuam sobre ele – neste caso, forças tecnológicas – interferem em seu equilíbrio. Nesse sentido é preciso mesmo ficar atento às tendências e cenários. O mesmo acontece para as forças econômicas: com o mundo inteiro sofrendo crise econômica, algo interfere no dia-a-dia das emissoras, até mesmo as vendas de anúncios – para mais ou para menos. Mas isso é tema pra outro Dial na Web!

 

As mulheres de Minas

Apesas de termos citado apenas algumas mulheres do Estado, há várias outras que estão na gestão das rádios de Minas Gerais:

 

As citadas:

  • Wal Rocha da rádio CentroMinas, de Curvelo
  • Renata Silva, da rádio Clube, de Curvelo
  • Valéria Tinoco, da rádio Paranaíba FM, de Uberlândia
  • Rose Barbosa, da rádio SuperSom, de Uberaba
  • Beatris Coelho, da rádio Mundo Melhor, de Governador Valadares
  • Nilza Azevedo (Nilzete), da rádio Super Minas FM, de São Gonçalo do Sapucaí

 

As não citadas:

  • Leid Carvalho da rádio Módulo, de Patrocínio
  • Eunice da PL FM, de Pedro Leopoldo
  • Maricélia da 98FM, Montes Claros
  • Carmélia da Aranãs FM, de Capelinha
  • Tetê da Max FM, Itajubá
  • Elaine da Band FM de Pou
  • Gê da 97 FM, de Frutal
  • Luciana da rádio Carijós (89FM) de Conselheiro Lafaete
  • Náide da rádio Caraça, Itabira
  • Juliana da Transamérica de Santa Bárbara
  • Maria Zilda da rádio Tropical, João Pinheiro
  • Simone e Júnia, ambas da rádio Global FM, de João Monlevade
  • Maria do Carmo da rádio Caldas de Engenheiro Caldas
  • Marisa da rádio Luz FM, de Leopoldina
  • Seluana da rádio Solar, Juiz de Fora
  • Elaine da rádio Mariana FM, de Mariana
  • Thais da rádio Portal FM, Corinto
  • Joyce Sanzone da rádio Lider FM, Uberlândia
  • Maria Efigênia da rádio Gerais FM, Coromandel
  • Indianara da rádio Musirama, Sete Lagoas
  • Rosilene Espíndola da rádio Alvorada FM, de Salinas
  • Maurília e Branda, ambas da rádio Sal FM, Salinas
  • Maria Matilde da rádio Clan FM de Nanuque
  • Cássia Menezes da rádio Antártida, Itabira
  • Marilene Moreira da rádio Liberdade, Nepomuceno
  • Sirlene da rádio Exclusiva FM, Três Pontas
  • Seila Mara da rádio Melodia FM, Varginha
  • Tida da rádio Tropical, Três Corações
  • Estela Mares da rádio Serra Negra FM, de Alterosa
  • Adrielle da rádio Vida FM, de Passos
  • Rosinha e Marlete, ambas da rádio Piumhi FM

 

Se deixamos de citar alguma, pedimos desculpas!

Categorizado como: Dial na Web, Entrevistas, Mercado

One Response to “Dial na Web: O mundo é Delas!”

  1. NIUZETT AZEVEDO disse:

    PARABENS A TODOS PELO ,BELO TRABALHO,POIS O MESMO CAUSA A NOS MULHERES,UMA GRANDE MOTIVAÇAO,POR SABER QUE TANTAS OUTRAS MULHERES ESTAO AI NA LUTA,COM GARRA ,SENSIBILIDADE E CHARME,PARA LEVAR ADIANTE ESTE MUNDO TÃO CONTAGIANTE

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