Navegador Música
21 dez / 2012

 

Difícil escolher num imenso leque de opções, de tantos radialistas, locutores e jornalistas, as vozes que fizeram e continuam a fazer história em Minas Gerais; vozes que vivenciaram as transformações do rádio ao longo dos anos e que tiveram suas vidas influenciadas ou mudadas pelo rádio. Gostaríamos de homenagear inúmeros profissionais que trabalham no rádio e que são exemplos de profissionalismo e competência.

Mas temos a certeza de que nossa homenagem a alguns dos ícones deste segmento em cada região das Gerais neste projeto “As vozes de Minas” vai contemplar os outros tantos talentos que trabalham nos 856 municípios do estado, nas diversas emissoras, cada uma com seu público e perfil.

A primeira entrevista do nosso projeto “As vozes de Minas” foi com José Maria Campos. Jornalista e radialista, trabalha na Difusora, de Patrocínio (pertencente ao Sistema Difusora) há quase 50 anos. É uma vida! Com certeza, tem muita história pra contar. Um profissional que, além de muita bagagem e conhecimento, traz consigo humildade, simplicidade e simpatia.

A Difusora (98,9 FM) foi a primeira rádio da cidade, que se localiza no Alto Paranaíba. Iniciou as atividades em 1949 e, desde então, vem acompanhando as tendências de mercado e evoluindo. Dá pra saber um pouco mais sobre sua história no site:  www.sistemadifusoraderadio.com.br .

Em 1963, “Zé” Maria entrou para o quadro de funcionários da Difusora e não saiu mais. Confira um pouco de sua história no rádio.

 

Há quanto tempo trabalha em rádio e o que motivou a entrar para esse meio? Conte um pouco da sua história.

Eu tenho 64 anos de idade; entrei no rádio em 1963. Minha história é até interessante: eu era estudante na época, no ginásio Dom Lustosa, e o colégio tinha um programa na rádio Difusora para divulgar as coisas do colégio, era meia hora. E tinha um grêmio no colégio e o diretor do grêmio escolhia um aluno para vir na rádio ler alguma coisa. Como eu era presidente do grêmio da minha sala, o presidente do grêmio geral me escolheu, através da indicação do professor de português (que dizia que eu tinha uma voz boa e lia bem), para preparar a leitura e vir à rádio. O locutor abriu o programa, me anunciou.

Eu acabei de apresentar a crônica, o gerente me chamou e disse que “você tem uma voz muito boa e lê muito; você não quer fazer um teste para trabalhar em rádio?”. Eu falei “faço!”. No outro dia eu fiz o teste da emissora e ele me contratou. E estou aqui até hoje, tem quase 50 anos já.

O rádio na época, nos anos 60, estava no auge. Mas as famílias tinham um preconceito tremendo com o rádio; quem trabalhava no rádio não era visto como boa pessoa. Quando a gente ia namorar uma moça, os familiares diziam “esse rapaz trabalha no rádio, não pode namorar com ele não”. Então era assim no início, mas depois graças a Deus esse preconceito acabou…. Em 1978, nossa profissão foi reconhecida, através do Governo Militar. Até então não era, hoje nós temos registro profissional, fizemos cursos de reciclagem e tudo.

O rádio é uma cachaça, vicia! Rádio é cultura, é eterno saber, eterno aprendizado. A gente está sempre aprendendo… com os que estão chegando, com os que estão saindo. O rádio nos comove, nos prepara para lidarmos com as emoções, pois lidamos com a morte e, infelizmente, até com a desgraça alheia. O rádio, para nós, é uma vida! E a gente morre falando; já aposentei e continuo falando!

Mas também enfrentamos muita polêmica. Já fui detido três vezes na época do golpe militar. A gente debatia em favor da liberdade durante o governo militar. Na época da censura prévia, em 1968, instaurada a partir do Ato Institucional 5, tudo o que a gente fizesse no rádio tinha que ser gravado antes; tínhamos que gravar todos os programas e, principalmente, noticiários antes e mostrar para a censura antes de colocarmos no ar. Isso revoltou o pessoal do rádio, e fizemos alguns comentários sobre o assunto e fomos detidos e torturados psicologicamente. Sofremos muito com os anos de chumbo. Mas graças a Deus passou, os anos de chumbo passaram e hoje está tudo bem. Hoje repudiamos qualquer tipo de anti-democracia. Atualmente, andam querendo regular a imprensa, mas não aceitamos de forma alguma. Nós, da imprensa, não aceitamos a censura.

 

O que mudou nesse meio desde que começou a trabalhar em rádio até agora?

Muita coisa. O preconceito, foi o primeiro. Como disse, nos anos 50 e 60 as pessoas tinham preconceito contra quem trabalhava no rádio. Hoje isso mudou bastante. Mudou também a valorização do profisisonal do setor, do radialista.

Mudou o esquema de trabalho, porque hoje temos liberdade para trabalhar, liberdade para perguntar e responder e para focalizar qualquer assunto que quisermos, graças ao sistema democrático. Hoje o rádio não aceita nenhuma imposição de poder, não é porque temos nossas próprias leis não…. e nem porque estamos “acima do bem e do mal”…. é porque queremos apenas esclarecer e mostrar pro público o que está acontecendo nos bastidores, o que está por trás de tudo: da política, da sociedade. E o povo, a população, aprendeu a admirar o nosso trabalho. Isso mudou muito. Hoje, nosso trabalho é reconhecido; claro que isso quando há uma imprensa transparente, imparcial e que ouve os dois lados da história. É o caso da Difusora, que faz 63 anos (AM/FM): temos credibilidade.

 

E o que mudou na sua vida de lá pra cá?

Mudou muita coisa. Através da nossa profissão, no rádio, aprendemos a ser mais humanos de tanto ver coisas incríveis acontecendo; humanizou nosso espírito e nos fez crescer bastante frente às intempéries da vida. Encaramos as coisas de forma mais humana. Por outro lado, nos revolta ver tanta injustiça. Hoje temos mais consciência das justiças e injustiças; lutamos pela justiça. Aprendi muitas virtudes nesses sentido e, principalmente, a virtude da gratidão.

 

Você acha que a internet representa alguma ameaça ao rádio?

Nunca! Nunca foi e nunca será; ao contrário, é uma ajuda para o rádio. Para nós, é espetacular. Hoje temos tudo, temos vários recursos, fazemos tudo pelo computador. Há 30, 40 anos não tínhamos nada disso, fazíamos tudo na base vontade de trabalhar, na garra. Hoje temos auxílio da tecnologia. O trabalho que eu gastava 8 horas para fazer, gasto 4. Mesmo sendo radialista antigo, procurei evoluir com o tempo. A internet não é nenhuma ameaça para o rádio, ao contrário: é uma ajuda para a comunicação.

 

Quais as maiores dificuldades enfrentadas para quem trabalha com rádio?

A política. Quando a política é bem exercida, é muito boa. Mas, infelizmente, nos tempos atuais, a política é mal exercida por uma minoria. E como queremos levar a ação dos políticos para a população, divulgá-las, esses mal políticos são contra a imprensa. Quando divulgamos uma ação não muito bem feita por políticos para a população, sofremos processos; eu já passei três processos, por exemplo, mas provei o que estava dizendo e deu tudo certo.

A nossa maior dificuldade é enfrentar o mal poder político, eles não aceitam nossas críticas. Só querem elogios. Quando criticamos, eles se revoltam contra nós e nos ameaçam. Há outras dificuldades, mas essa é a maior. O rádio é um meio de comunicação muito forte, 80% da população aqui escuta rádio. Não gosto dessa expressão, mas somos considerados “formadores de opinião”; mas levamos informações e opiniões para a população. Então…. a repercussão daquilo que falamos é grande.

 

Uma mensagem que é um norte para sua vida.

Imparcialidade. Seja imparcial no julgamento dos fatos, na construção de suas matérias. Sendo imparcial, a valorização do profissional é maior; imparcialidade é a palavra chave da imprensa.

 

Agradecemos a entrevista, “Zé Maria”! Fique à vontade para fazer suas considerações finais.

Agradeço a vocês pela escolha, fico grato. Parabéns pelo site que criaram, que vai abordar outros assuntos ligados ao rádio, isso valoriza o rádio e nós profissionais. Nosso muito obrigado, estamos sempre à disposição para outras entrevistas.

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