Navegador Música

Dial na Web




11 jan / 2013

Geraldo Rodrigues, diretor da Rádio Viva FM

 

100% sertaneja, com programação 24horas e grandes profissionais, a Viva FM tem se destacado entre as rádios do sul de Minas Gerais, importante região do estado. Hoje o Dial na Web faz sua homenagem a essa grande parceira da Navegador Música!

 

Equipe da rádio Viva FM com dupla sertaneja Maurício e Mauri

 

Localizada na cidade de Cambui, a 151 km quilômetros de distância de São Paulo e 420 km da capital mineira, a emissora tem uma cobertura de aproximadamente 250 municípios, abrangendo – além do sul de Minas – a Serra da mantiqueira,o Vale do Paraíba e Leste Paulista. Seu transmissor fica localizado na pedra de São Domingos, a 2050 metros de altura em relação ao nível do mar.

 

Área de cobertura da rádio Viva FM, de Cambuí

Há anos no mercado, foi somente em 2003 que a rádio voltou sua programação para a música sertaneja. Pioneira neste segmento na região, esse mês completa 10 anos de sucesso absoluto! Ao longo dos anos, acompanhou a transformação no universo sertanejo sem perder suas características. Sua programação é abrangente, bem planejada e elaborada, mesclando grandes sucessos com hits do momento em programas específicos que compõe a grade da emissora. Por isso, tem um público fiel, de todas as classes sociais e de todas as idades.

Além da música, a Viva FM sabe a importância que as promoções têm na fidelização de sua audiência. Pedágios e sorteios de brindes trazem interatividade com os ouvintes e são maneiras de expor a marca da rádio. Afinal, quem não é visto, não é lembrado, dizem os gurus do marketing!

 

Pedágio Rádio Viva

A emissora também tem tradição na realização de eventos com grandes nomes da música sertaneja, no sul de Minas e no Vale do Paraíba. Os eventos acontecem em praça pública ou mesmo em casa de eventos. É mais uma forma de promover o lazer e entretenimento na região, levando boa música e diversão à população.

Na próxima semana, o Dial na Web volta com o especial “Vozes de Minas”, entrevistando Edvaldo Matias, gestor artístico da Viva FM, que também é locutor e participou de todo o processo de posicionamento de mercado da rádio. Ele vai falar um pouco sobre sua história e sobre o mercado fonográfico. Não perca!

 

Edvaldo Matias, coordenador de programação e locutor

 

Saiba mais sobre a rádio Viva FM:

Site: www.radioviva.fm.br
Endereço: Rua Padre Caramuru, 657, Centro.
Telefone ouvinte: (35) 3431.2857
Telefone Comercial: (35) 3431.5112
Email: comercialradioviva@micropic.com.br

 

 

21 dez / 2012

 

Difícil escolher num imenso leque de opções, de tantos radialistas, locutores e jornalistas, as vozes que fizeram e continuam a fazer história em Minas Gerais; vozes que vivenciaram as transformações do rádio ao longo dos anos e que tiveram suas vidas influenciadas ou mudadas pelo rádio. Gostaríamos de homenagear inúmeros profissionais que trabalham no rádio e que são exemplos de profissionalismo e competência.

Mas temos a certeza de que nossa homenagem a alguns dos ícones deste segmento em cada região das Gerais neste projeto “As vozes de Minas” vai contemplar os outros tantos talentos que trabalham nos 856 municípios do estado, nas diversas emissoras, cada uma com seu público e perfil.

A primeira entrevista do nosso projeto “As vozes de Minas” foi com José Maria Campos. Jornalista e radialista, trabalha na Difusora, de Patrocínio (pertencente ao Sistema Difusora) há quase 50 anos. É uma vida! Com certeza, tem muita história pra contar. Um profissional que, além de muita bagagem e conhecimento, traz consigo humildade, simplicidade e simpatia.

A Difusora (98,9 FM) foi a primeira rádio da cidade, que se localiza no Alto Paranaíba. Iniciou as atividades em 1949 e, desde então, vem acompanhando as tendências de mercado e evoluindo. Dá pra saber um pouco mais sobre sua história no site:  www.sistemadifusoraderadio.com.br .

Em 1963, “Zé” Maria entrou para o quadro de funcionários da Difusora e não saiu mais. Confira um pouco de sua história no rádio.

 

Há quanto tempo trabalha em rádio e o que motivou a entrar para esse meio? Conte um pouco da sua história.

Eu tenho 64 anos de idade; entrei no rádio em 1963. Minha história é até interessante: eu era estudante na época, no ginásio Dom Lustosa, e o colégio tinha um programa na rádio Difusora para divulgar as coisas do colégio, era meia hora. E tinha um grêmio no colégio e o diretor do grêmio escolhia um aluno para vir na rádio ler alguma coisa. Como eu era presidente do grêmio da minha sala, o presidente do grêmio geral me escolheu, através da indicação do professor de português (que dizia que eu tinha uma voz boa e lia bem), para preparar a leitura e vir à rádio. O locutor abriu o programa, me anunciou.

Eu acabei de apresentar a crônica, o gerente me chamou e disse que “você tem uma voz muito boa e lê muito; você não quer fazer um teste para trabalhar em rádio?”. Eu falei “faço!”. No outro dia eu fiz o teste da emissora e ele me contratou. E estou aqui até hoje, tem quase 50 anos já.

O rádio na época, nos anos 60, estava no auge. Mas as famílias tinham um preconceito tremendo com o rádio; quem trabalhava no rádio não era visto como boa pessoa. Quando a gente ia namorar uma moça, os familiares diziam “esse rapaz trabalha no rádio, não pode namorar com ele não”. Então era assim no início, mas depois graças a Deus esse preconceito acabou…. Em 1978, nossa profissão foi reconhecida, através do Governo Militar. Até então não era, hoje nós temos registro profissional, fizemos cursos de reciclagem e tudo.

O rádio é uma cachaça, vicia! Rádio é cultura, é eterno saber, eterno aprendizado. A gente está sempre aprendendo… com os que estão chegando, com os que estão saindo. O rádio nos comove, nos prepara para lidarmos com as emoções, pois lidamos com a morte e, infelizmente, até com a desgraça alheia. O rádio, para nós, é uma vida! E a gente morre falando; já aposentei e continuo falando!

Mas também enfrentamos muita polêmica. Já fui detido três vezes na época do golpe militar. A gente debatia em favor da liberdade durante o governo militar. Na época da censura prévia, em 1968, instaurada a partir do Ato Institucional 5, tudo o que a gente fizesse no rádio tinha que ser gravado antes; tínhamos que gravar todos os programas e, principalmente, noticiários antes e mostrar para a censura antes de colocarmos no ar. Isso revoltou o pessoal do rádio, e fizemos alguns comentários sobre o assunto e fomos detidos e torturados psicologicamente. Sofremos muito com os anos de chumbo. Mas graças a Deus passou, os anos de chumbo passaram e hoje está tudo bem. Hoje repudiamos qualquer tipo de anti-democracia. Atualmente, andam querendo regular a imprensa, mas não aceitamos de forma alguma. Nós, da imprensa, não aceitamos a censura.

 

O que mudou nesse meio desde que começou a trabalhar em rádio até agora?

Muita coisa. O preconceito, foi o primeiro. Como disse, nos anos 50 e 60 as pessoas tinham preconceito contra quem trabalhava no rádio. Hoje isso mudou bastante. Mudou também a valorização do profisisonal do setor, do radialista.

Mudou o esquema de trabalho, porque hoje temos liberdade para trabalhar, liberdade para perguntar e responder e para focalizar qualquer assunto que quisermos, graças ao sistema democrático. Hoje o rádio não aceita nenhuma imposição de poder, não é porque temos nossas próprias leis não…. e nem porque estamos “acima do bem e do mal”…. é porque queremos apenas esclarecer e mostrar pro público o que está acontecendo nos bastidores, o que está por trás de tudo: da política, da sociedade. E o povo, a população, aprendeu a admirar o nosso trabalho. Isso mudou muito. Hoje, nosso trabalho é reconhecido; claro que isso quando há uma imprensa transparente, imparcial e que ouve os dois lados da história. É o caso da Difusora, que faz 63 anos (AM/FM): temos credibilidade.

 

E o que mudou na sua vida de lá pra cá?

Mudou muita coisa. Através da nossa profissão, no rádio, aprendemos a ser mais humanos de tanto ver coisas incríveis acontecendo; humanizou nosso espírito e nos fez crescer bastante frente às intempéries da vida. Encaramos as coisas de forma mais humana. Por outro lado, nos revolta ver tanta injustiça. Hoje temos mais consciência das justiças e injustiças; lutamos pela justiça. Aprendi muitas virtudes nesses sentido e, principalmente, a virtude da gratidão.

 

Você acha que a internet representa alguma ameaça ao rádio?

Nunca! Nunca foi e nunca será; ao contrário, é uma ajuda para o rádio. Para nós, é espetacular. Hoje temos tudo, temos vários recursos, fazemos tudo pelo computador. Há 30, 40 anos não tínhamos nada disso, fazíamos tudo na base vontade de trabalhar, na garra. Hoje temos auxílio da tecnologia. O trabalho que eu gastava 8 horas para fazer, gasto 4. Mesmo sendo radialista antigo, procurei evoluir com o tempo. A internet não é nenhuma ameaça para o rádio, ao contrário: é uma ajuda para a comunicação.

 

Quais as maiores dificuldades enfrentadas para quem trabalha com rádio?

A política. Quando a política é bem exercida, é muito boa. Mas, infelizmente, nos tempos atuais, a política é mal exercida por uma minoria. E como queremos levar a ação dos políticos para a população, divulgá-las, esses mal políticos são contra a imprensa. Quando divulgamos uma ação não muito bem feita por políticos para a população, sofremos processos; eu já passei três processos, por exemplo, mas provei o que estava dizendo e deu tudo certo.

A nossa maior dificuldade é enfrentar o mal poder político, eles não aceitam nossas críticas. Só querem elogios. Quando criticamos, eles se revoltam contra nós e nos ameaçam. Há outras dificuldades, mas essa é a maior. O rádio é um meio de comunicação muito forte, 80% da população aqui escuta rádio. Não gosto dessa expressão, mas somos considerados “formadores de opinião”; mas levamos informações e opiniões para a população. Então…. a repercussão daquilo que falamos é grande.

 

Uma mensagem que é um norte para sua vida.

Imparcialidade. Seja imparcial no julgamento dos fatos, na construção de suas matérias. Sendo imparcial, a valorização do profissional é maior; imparcialidade é a palavra chave da imprensa.

 

Agradecemos a entrevista, “Zé Maria”! Fique à vontade para fazer suas considerações finais.

Agradeço a vocês pela escolha, fico grato. Parabéns pelo site que criaram, que vai abordar outros assuntos ligados ao rádio, isso valoriza o rádio e nós profissionais. Nosso muito obrigado, estamos sempre à disposição para outras entrevistas.

18 dez / 2012

Por: Thais Wadhy

 

Thais Wadhy entrevista o Zé Maria, da rádio Difusora.

Visitar a emissoras de rádio de Minas Gerais e conversar com locutores, radialistas, coordenadores e gestores é sempre uma deliciosa forma de aprender, seja pelas histórias, troca de informações e conhecimento ou até mesmo pelas risadas. O trabalho em rádio, assim como os diversos trabalhos nos segmentos de entretenimento ou no mercado fonográfico, se mostra prazeroso e gratificante de exercer, apesar das dificuldades, da pressão do tempo e até do “stress”. Vivenciar essa energia é uma experiência renovadora e muito rica.

Já que estamos envolvidas diretamente com esse mercado, resolvemos fazer um projeto especial para o Dial na Web: vamos trazer à tona as tantas histórias de radialistas, locutores e jornalistas que trabalham no rádio há 50, 40, 30, 20 anos, levando informação, música e emoções para milhares de ouvintes  em Minas Gerais. “As vozes de Minas”. São vozes que fizeram e continuam fazendo história no estado, e vivenciaram todas as transformações do rádio ao longo dos anos. E o rádio, com certeza, transformou suas vidas.

A primeira entrevista foi com José Maria Campos. Jornalista e radialista, trabalha na mesma emissora – a Difusora, de PAtrocínio, pertencente ao Sistema Difusora – há quase 50 anos. É uma vida. É mais que minha vida. E, com certeza, é muita história pra contar.

A entrevista com “Zé” Maria foi incrível. Um profissional que, além de muita bagagem e conhecimento, traz consigo humildade, simplicidade e simpatia. Foi um prazer enorme conhecê-lo.

Vocês terão acesso à entrevista no próximo Dial na Web, sexta-feira. Será o lançamento, em grande estilo, do projeto “As vozes de Minas”.

 

14 dez / 2012

As mulheres à frente das rádios de Minas Gerais

 

Dedicação, comprometimento e paixão são os ingredientes do sucesso dessas guerreiras que estão à frende das emissoras

É fato que as mulheres, atualmente, ainda sofrem os males do machismo no mercado de trabalho: recebem salários menores, têm dupla ou tripla jornada de trabalho (porque cuidam da casa e dos filhos) e sofrem muita pressão quando assumem cargos de liderança. Ainda assim, as mulheres vão à luta e não perdem a garra e a coragem para conquistarem seu espaço no mundo dos negócios.

Nas rádios, segmento considerado tipicamente masculino, não é diferente: apesar das dificuldades, gestoras rompem tabus para conduzir projetos ousados nas emissoras de todo o país e de Minas Gerais; a paixão que envolve este segmento têm conquistado cada vez mais mulheres e o resultado é que o cenário tem mudado bastante: as emissoras do nosso estado tem ficado cada vez mais femininas! Nilzete, da rádio Super Minas FM de São Gonçalo do Sapucaí, se diz “contaminada” por essa paixão, e continua: “algum tempo atrás conheci duas grandes mulheres, a Rose da SuperSom e a Leid da Módulo FM; me senti bastante honrada e orgulhosa de tê-las conhecido, brinco com elas quando digo que somos as três mulheres mais poderosas do sul de Minas!”.

Conversamos com algumas dessas guerreiras que estão à frente das rádios de Minas Gerais. As histórias são muitas e difíceis, mas fabulosas. Muita água passou por debaixo da ponte e hoje vemos que a realidade tem se tornado menos ríspida, ainda que continue competitiva para nossas mulheres.

Wal Rocha, uma das gestoras da rádio CentroMinas, de Curvelo – que, junto com a diretora geral e coordenadora geral Zinha Rocha faz um trabalho incrível frente à emissora –  diz que há 12 anos vive esse “casamento” com o rádio; “sempre fui uma ouvinte de rádio e admiradora desse veículo, da forma que a informação chega, do poder de entreter, e acompanhar as pessoas em qualquer lugar”. Hoje ela está à frente do departamento de produção de programas e promoções, como produtora executiva, dá assessoria para os anunciantes, com orientações sobre mídia, linguagem, público alvo e criação de campanhas e ainda é locutora pela manhã. “Gosto muito da minha profissão e para começar o dia, ainda entro no ar com O BOM DIA CURVELO, programa que eu apresento há 9 anos”, diz.

Muito tempo? Rose Barbosa, da Supersom de Uberaba, trabalha na rádio há 23 anos! E conta um pouco de sua história: “(…) vivi na fazenda até os 21 anos e, ao sair para tentar ser médica (vestibular), fui convidada pelo proprietário da SuperSom (Arnaldo Prata) a aprender rádio juntamente com ele. Me lembro disso como se fosse ontem. Aqui estou, quase 24 anos depois, ainda aprendendo a fazer rádio”. É uma vida, podemos dizer. Quase o mesmo tempo que Val Tinoco, gestora artística da Paranaíba FM (Uberlândia), que trabalha no segmento há 25 anos: “Comecei como produtora; de tanto dirigir locutores nas gravações, acabei na locução. Já fiz tudo no rádio: repórter de unidade móvel, produção, locução, programação, edição comercial e artística, coordenação de promoção, coordenação artística (…).” Recentemente, Val deixou a coordenação artística das rádios Cultura HD (Uberlândia) e Regional FM (Araguari) para assumir a da Paranaiba FM, rádio 100% sertaneja.

Assim como Wal Rocha, Renata Silva, da rádio Clube de Curvelo, está há 12 anos no rádio e parece ter nascido com o dom da locução. Tudo começou com a rádio comunitária que seu pai dirigia na cidade, com ajuda dela (que virou telefonista da emissora). “Meu pai ia de comércio em comércio para falar que tinha uma nova rádio na cidade, ele me ligava e pedia para que eu falasse a hora certa e o dial para sintonizar, eu só falava porque estava sozinha e ninguém me via, pois eu era muito tímida. Tínhamos apenas 04 CDs para tocar o dia todo. A dona de uma floricultura ouviu a minha voz e falou com meu pai que apoiaria a rádio se eu fizesse a propaganda dela”. Ela ganhou um programa e ficava esperando alguém comprar o horário para ser dispensada da função. Ainda bem que a equipe da rádio decidiu que o horário dela de programação seria invendável! Desde então Renata trabalha nesse veículo e hoje coordena a Clube de Curvelo. Beatris, da rádio Mundo Melhor (Governador Valadares), é a mais nova no segmento, desde 2008. Entrou após sua aposentadoria: “fui convidada a atuar como diretora adminstrativa em agosto de 2008. Confesso que não ouvia rádio, mas como me foi solicitado gerir recursos humanos (motivação) comercial e financeiro, aceitei o desafio”. Claro que, rapidamente, Beatris foi “obrigada” a criar o hábito de ouvir a emissora. Como gerir algo que não se conhece? Ela afirma que logo na primeira semana, viu que não dava para atuar separadamente. E continua: “tinha que conhecer a emissora no todo: programação, técnica, comercial . Daí fui ouvir as duas emissoras: AM e FM”. E fez um ótimo trabalho, a partir de então, mudando a estratégia de gestão da rádio, hoje super bem posicionada na cidade.

Há pontos em comum que unem essas coordenadoras, gestoras ou locutoras das rádios de Minas Gerais. Uma delas, além de serem do sexo feminino, é a paixão pelo que fazem. “Tudo o que tenho foi o rádio que me proporcionou; sou completamente apaixonada pelo meu emprego”, afirma Rose Barbosa. Wal Rocha diz que “trabalhar com que gosta é o que faz a diferença”. Val Tinoco acrescenta que a paixão pelo rádio é o que a motiva: “Amo TUDO. Criar uma promoção, idealizar, escrever o texto, gravar a chamada. Gostaria de ter tempo pra ficar mais no estúdio e fazer produções. Adoro”. “Hoje faço a programação musical com grande esforço e dedicação, e por amor”, diz Nilzete da Super Rádio Minas, de São Gonçalo do Sapucai. Programação esta que deu à rádio destaque na região no segmento de sertanejo. Hoje a rádio Super Minas FM é uma das mais importantes da região.

Mas o final feliz de todas elas foi conquistado à base de muita garra e perveverança. Nilzete diz que passou grandes dificuldades e até boicote por parte dos funcionários. Mas não desistiu: “fui em busca de conhecimento (…). Tenho certeza de que este foi um dos maiores fatores de sucesso da Super Rádio Minas”, afirma.

São muitas as dificuldades para as mulheres dentro desse segmento historicamente masculino, principalmente no interior de um estado tão tradicionalista e conservador como Minas Gerais “(…) o mundo do radio ainda é bem masculino. Na vendas de mídia e na direção, principalmente. A maioria não aceitam que mulheres os dirijam”, afirma Renata Silva, de Curvelo. Segundo Val Tinoco, “dominar o assunto, impor o respeito e respeitar é fundamental. Quando você domina o que faz, ninguém te enrola. Mas quem faz rádio, faz por paixão e isso já une as pessoas geral”.

Além das dificuldades impostas pelo machismo, há outras que são comuns a homens e mulheres. Wal Rocha diz que “(…) as mulheres ouvintes de rádio são mais exigentes e especialmente com outras mulheres. Eram 5 locutores homens e duas mulheres, hoje só eu de mulher no ar”. Responsa, né? Val Tinoco diz que os obstáculos nesse segmento nem sempre estão ligados à problemas de gênero, e explica que os problemas advém de “gestores que criaram históricos negativos; a limitação artística frente aos departamentos comerciais. Minha visão do rádio é: o artístico cria o conteúdo pro comercial vender. Na empresa que estes dois departamentos sentam e conversam e encaram suas fraquezas e aceitam críticas, tudo flui”. Val ainda afirma que, nesse sentido, a mulher tem uma vantagem, pois consegue ter uma visão holística de tudo e, inclusive, do setor. “A dificuldade, na minha opinião não está por ser mulher, mas na forma que donos e diretores encaram a evolução, credibilidade, poder e o que o rádio representa para seus 3 clientes fundamentais: ouvinte, anunciante e artista”.

Há ainda muitos desafios pela frente para quem trabalha no rádio, independente do sexo. “Muitas emissoras, para cortar gastos, assumem uma programação automatizada 24 horas”, diz Renata. E acrescenta que “o ouvinte não quer mais uma rádio automatizada de música e hora certa, e sim uma rádio que faz o papel de companheira no seu dia-a-dia, que aborda assuntos de seu interesse”. Aliás, é isso que fazem as gestoras artísticas: pensam estrategicamente a programação e cuidam dela, para que fique com uma plástica “afinada” e detenha a atenção do ouvinte. “A qualidade nos trabalhos é fundamental”, diz Wal Rocha. “programação bem direcionada. O regionalismo do rádio com uma visão universalizada… contextualizar e não limitar”, continua.

Sem dúvidas, ter uma gestão artística arrojada e alinhada com os interesses comerciais da rádio é fundamental para seu crescimento e projeção no mercado. Como disse Val Tinoco, “o maior desafio é o artístico e o comercial se entrosarem, para [a rádio] ter melhores retornos e vender com criatividade. Este, na minha opinião, é o maior desafio do rádio”. E, plagiando Wal Rocha, “desafios são oportunidades de crescimento”! Nilzete compartilha da mesma visão quando diz que “para quem gosta de superação, os desafios estarão sempre à disposição para serem superados; isso me motiva, pois gosto de desafios”. Tinoco continua: “É um veículo que tem excelentes vendedores, mas que às vezes ficam tão sufocados em ‘bater meta’ que acabam perdendo a criatividade, ou sem tempo de sentar e buscar algo novo para seu cliente. Não estou criticando os contatos, tenho vários amigos que são e admiro, porque sei que todos adoraram entrar na minha sala e conversar sobre como melhorar a entrega pro cliente dele. Infelizmente, isso não acontece em todas as rádios. Eu tive o prazer de vivenciar isso, e o resultado é outro”.

Do lado de fora da “bolha”, ou melhor, além das dificuldades características do setor, é preciso se atentar para o ambiente de negócios. Beatris, da rádio Mundo Melhor diz que é um desafio “acompanhar atentamente o avanço tecnológico, que muito contribui para expansão do rádio”.

Certamente, todas as mudanças que ocorrem no mercado e nas forças que atuam sobre ele – neste caso, forças tecnológicas – interferem em seu equilíbrio. Nesse sentido é preciso mesmo ficar atento às tendências e cenários. O mesmo acontece para as forças econômicas: com o mundo inteiro sofrendo crise econômica, algo interfere no dia-a-dia das emissoras, até mesmo as vendas de anúncios – para mais ou para menos. Mas isso é tema pra outro Dial na Web!

 

As mulheres de Minas

Apesas de termos citado apenas algumas mulheres do Estado, há várias outras que estão na gestão das rádios de Minas Gerais:

 

As citadas:

  • Wal Rocha da rádio CentroMinas, de Curvelo
  • Renata Silva, da rádio Clube, de Curvelo
  • Valéria Tinoco, da rádio Paranaíba FM, de Uberlândia
  • Rose Barbosa, da rádio SuperSom, de Uberaba
  • Beatris Coelho, da rádio Mundo Melhor, de Governador Valadares
  • Nilza Azevedo (Nilzete), da rádio Super Minas FM, de São Gonçalo do Sapucaí

 

As não citadas:

  • Leid Carvalho da rádio Módulo, de Patrocínio
  • Eunice da PL FM, de Pedro Leopoldo
  • Maricélia da 98FM, Montes Claros
  • Carmélia da Aranãs FM, de Capelinha
  • Tetê da Max FM, Itajubá
  • Elaine da Band FM de Pou
  • Gê da 97 FM, de Frutal
  • Luciana da rádio Carijós (89FM) de Conselheiro Lafaete
  • Náide da rádio Caraça, Itabira
  • Juliana da Transamérica de Santa Bárbara
  • Maria Zilda da rádio Tropical, João Pinheiro
  • Simone e Júnia, ambas da rádio Global FM, de João Monlevade
  • Maria do Carmo da rádio Caldas de Engenheiro Caldas
  • Marisa da rádio Luz FM, de Leopoldina
  • Seluana da rádio Solar, Juiz de Fora
  • Elaine da rádio Mariana FM, de Mariana
  • Thais da rádio Portal FM, Corinto
  • Joyce Sanzone da rádio Lider FM, Uberlândia
  • Maria Efigênia da rádio Gerais FM, Coromandel
  • Indianara da rádio Musirama, Sete Lagoas
  • Rosilene Espíndola da rádio Alvorada FM, de Salinas
  • Maurília e Branda, ambas da rádio Sal FM, Salinas
  • Maria Matilde da rádio Clan FM de Nanuque
  • Cássia Menezes da rádio Antártida, Itabira
  • Marilene Moreira da rádio Liberdade, Nepomuceno
  • Sirlene da rádio Exclusiva FM, Três Pontas
  • Seila Mara da rádio Melodia FM, Varginha
  • Tida da rádio Tropical, Três Corações
  • Estela Mares da rádio Serra Negra FM, de Alterosa
  • Adrielle da rádio Vida FM, de Passos
  • Rosinha e Marlete, ambas da rádio Piumhi FM

 

Se deixamos de citar alguma, pedimos desculpas!

12 dez / 2012

07 dez / 2012

 

Difícil esgotar um assunto polêmico dentro do que chamamos de “mercado de entretenimento”, principalmente quando o foco são os altos cachês cobrados por artistas e seus empresários ou agências. Além de ser um tema extenso de natureza – dado que existem inúmeros segmentos dentro do que chamados “mercado de entretenimento” – há pontos de vista distintos no que diz respeito à polêmica central: dos artistas, dos empresários, dos contratantes e dos produtores.

Há alguns dias, Leid Carvalho, gestora da rádio Módulo FM, de Patrocínio, falou um pouco sobre o assunto. Engajada nesse mercado, Leid promove na cidade diversos eventos de música sertaneja, já que a emissora só toca esse estilo musical. Afirma, em sua entrevista (leia na íntegra clicando aqui) que “os cachês estão surreais e acredito (…). Alguns escritórios não priorizam a relação com rádios e a longevidade da carreira do artista, querem retorno imediato. Estão sendo feitos investimentos gigantescos sem estratégia o que cria uma busca pelo retorno rápido que atropela e instabiliza ainda mais o mercado”.

Podemos citar uma infinidade de rádios em Minas Gerais que sofrem com o mesmo problema; se inserem no mercado de entretenimento, promovendo eventos nas cidades onde estão localizadas (além de contribuírem para a divulgação de shows, músicas e artistas) e, apesar de terem em mãos uma poderosa ferramenta de publicidade, o valor dos cachês cobrado pelos artistas ou por seus empresários e agências, somados aos altos custos de transporte e produção, acabam tornando os eventos tão caros quanto arriscados, fatores que desanimam até quem trabalha há anos no segmento de entretenimento.

Beatriz, gestora da rádio Mundo Melhor de Governador Valadares, compartilha da mesma opinão e acrescenta que “os altos custos: cachê  dos artistas,  transporte caro,  principalmente o aéreo, as exigência  dos empresários, o grande número de pessoas envolvidas no show, taxas de Ecad, corpo de bombeiros, ISS, (…) publicidade…” são alguns dos fatores que tem dificultado a produção dos eventos, aumentando demasiadamente seus custos, além dos próprios custos de infraestrutura – tais como palco, luz, som, locação do espaço, dentre outros. E acrescenta: “[sobre o valor dos cachês]… fazem para as emissoras os mesmos valores que cobram para  qualquer  produtor de evento”. Justo? As emissoras acreditam que não, pois a divulgação que fazem dos artistas e de suas músicas é diária e não cessa, ao contrário dos produtores, cuja divulgação é pontual e termina ao final do evento. “Não valorizam o tanto que  a emissora divulgou o nome e as músicas deles”, diz Beatris.

Tem gente que já faz um movimento no sentido de tentar minimizar o impacto dessa “supervalorização” dos cachês. Como? Fazendo eventos menores, contratando artistas locais e menos consagrados. “Os shows grandes ficam por conta das prefeituras, de quem tem muito dinheiro pra investir e arriscar ou que tem patrocínio. Se não for assim, fica difícil, porque é um risco grande”, diz um profissional do setor que não quis se identificar.

Algumas produtoras de eventos renomadas, principalmente das capitais, consegeum ter um maior poder de barganha. São poderosas e conseguem levar um público considerável independente da fama do artista. Claro que, para isso acontecer, são anos de experiência em eventos – alguns bem sucedidos, outros nem tanto – e de publicidade acertada: conseguiram, ao longo do tempo, consolidar a marca da empresa no mercado, que passa a funcionar como “selo de qualidade”:  “se for evento daquela produtora, eu vou porque é bom”, pensariam as pessoas, nesse caso. Podemos citar algumas: Nó de Rosa e DM Promoções, em BH.

Mas voltando ao assunto dos cachês: por que são assim, tão elevados?

De um lado, há quem pague cachês estratosféricos. Um exemplo: nas “exposições” ou festas da cidade, quando há investimento das prefeituras nos eventos, dificilmente se questiona o valor do cachê. “Bom é fazer evento pra prefeitura; garantia de um bom preço e o recebimento é certo, ainda que demore”, acrescenta o “anônimo”. Outro exemplo, é quando o artista traz muito público, o suficiente para gerar uma receita ainda maior que as despesas do evento. Marisa Monte, para citar um nome, lotou 3 dias de show no Palácio das Artes, em BH e 1 dia de show em Uberlândia, com ingressos no valor mínimo de R$ 150,00 (meia-entrada); trata-se de um público diferenciado, que paga mais caro pelo espetáculo. Aí o risco é calculado e dificilmente um show como este gera prejuízo.

Do outro lado, estão os artistas e seu empresários ou agências que alegam, com razão, do tempo e dinheiro investido na carreira até que seja alcançada a fama e se possa cobrar um valor justo pelo trabalho realizado. Nos depoimentos de cantores consagrados, em grande parte das vezes escuta-se estórias de dificuldade e perseverança, como é o caso do cantor Naldo (antes MC Naldo), que revelou ao Faustão como era sua vida antes da Fama: pobreza, dificuldade e incertezas. Agora, até abriu sua própria agência para gerir sua carreira, a Benny Entertainment. Se pararmos para pensar, com o passar dos anos esses cantores – que muitas vezes cantavam em bares pequenos ou casas noturnas em suas cidades, ganhando mixarias – gastaram muito dinheiro com aulas, treinos, instrumentos musicais, promoção, divulgação do trabalho, profissionalização e marketing artístico. Há muito dinheiro e tempo por trás de um grande sucesso: o qual é preciso ser recuperado.

Depois de receber de volta todo o investimento de anos, o artista ou o gestor de sua carreira querem – claro – receber o bônus de tanto esforço, e o mercado ajuda: passam pra lista dos cachês estratosféricos, já que suas imagens passam a valer muito perante a mídia e a população. Vale lembrar também que o valor do cachê não vai inteiramente para os artistas: é preciso pagar a equipe que está por trás de tudo: músicos (banda), holdies, carregadores, produtores e todas as pessoas envolvidas no evento, que “fazem a engrenagem funcionar”.

Mas o mercado está mudando. Estamos em meio de uma crise econômica, que também afeta esse mercado e, portanto, a disposição para se correr riscos tende a ser ainda menor. “O mundo artístico está passando   pelas mesmas dificuldades  de qualquer profissional. Na década de 70 e 80, podíamos contar os artistas. Hoje,  são tantos  que até para as emissoras selecionarem as  músicas, está dificil. Não cabe na programação. A competitividade acirrada  está presente no  também no mercado artístico.”, diz Beatris, da rádio Mundo Melhor. Crescem os eventos menores, de nicho, com públicos mais segmentados e artistas locais. Nesse contexto, há muitas agências e empresários que passam a trabalhar em parceria com toda a cadeia de entretenimento: shows com risco dividido, pagamento do cachê em conformidade com o resultado do evento, divisão da bilheteria. Tudo isso acontece para o mercado voltar a encontrar equilíbrio entre oferta e demanda e, consequentemente, de preços.

Esse debate está longe de estar esgotado. Mas vale lembrar que somos todos players de um mesmo mercado. Beatris diz “creio ainda na força do rádio e nós os dirigentes, precisamos nos unir, fazer valer a força que temos  e a partir daí, começarmos a  negociar melhor os nossos eventos. Temos que ser parceiros dos artistas, e não estarmos a serviço deles”.   É bom lembrar que o trabalho em parceria pode ser benéfico para todos os envolvidos.

 

05 dez / 2012

16 nov / 2012

Grande parte das rádios de Minas Gerais, além de contribuírem para a divulgação de shows, músicas e artistas, se inserem no mercado de entretenimento, promovendo eventos nas cidades onde estão localizadas. Poderíamos listar centenas de emissoras que se envolvem na produção de festas de todos os portes, seja com artistas renomados ou locais.

Apesar de terem em mãos uma poderosa ferramenta de publicidade, há uma infinidade de dificuldades que são próprias desse tipo de atividade: contratação da equipe, planejamento de divulgação e promoção, montagem de palco e estruturas, venda de ingressos, alvarás, e muitos outros. Mas uma delas parece ter se tornado um obstáculo tão grande que chega a inviabilizar alguns projetos: o valor exageradamente caro dos cachês cobrado pelos artistas ou por seus empresários e agências.

Este dilema parece ter se tornado consenso não somente entre as rádios, mas  entre as produtoras de eventos de Minas Gerais. Cachês estratosféricos, somados aos altos custos de transporte e produção, acabam tornando os eventos tão caros quanto arriscados, fatores que desanimam até quem trabalha há anos no segmento de entretenimento.

Conversamos com algumas pessoas experientes sobre o assunto. Mesmo em mercados distintos (sertanejo e música eletrônica, capital e interior do estado, eventos em que o show é parte das atrações e evento em que o show é a atração principal), existem dificuldades semelhantes. Nessa sexta e na próxima, apresentaremos entrevistas com esses profissionais e veremos o que eles têm a dizer.

A primeira entrevistada foi Leid Carvalho. Leid  é jornalista e empresária. Atualmente diretora das emissoras Módulo FM em Patrocínio  (MG) e Itumbiara  (GO). Como jornalista trabalhou nas rádios Globo Cultura, Itatiaia e TV Paranaíba em Uberlandia. Foi correspondente da Rede Itatiaia em Brasilia nos governos FHC e Lula.

 

Como é o mercado de entretenimento na sua cidade/região (caracteristicas, perfil, perfil do público, etc)?

Existe uma preferência absoluta por shows sertanejos, que se consolidou ao longo dos 17 anos de existência da Módulo FM. Em 1995 uma pesquisa com cerca de 500 pessoas revelou que 70 % da população queriam ouvir o estilo e nesta época as outras emissoras tocavam o rock e o pop, o que desrespeitava a cultura regional. O sertanejo era veiculado apenas de madrugada, das 05 as 06, por exemplo e a Módulo inovou colocando o estilo em horário nobre, ou seja das 06 as 19 horas. A estratégia fez com que a emissora se tornasse referencia desde então no seguimento na Região, já que o sinal dela alcança cerca de 40 cidades em um raio de 150 km quadrados.  O público é exigente, gosta de shows sertanejos nacionais, com levada pop, moda de viola, funk e eletrônico cujo repertório inclua temas acerca da prioridades da juventude como balada, namoro, rede social, diversidade de parceiros(as),etc.

 

Que tipo de eventos realiza (caracteristicas, perfil, perfil do público, etc)

São shows no estilo mencionado, predominantemente sertanejos atuais, devido a exigência do público. O perfil é variado, inclui classes A e B que normalmente preferem os camarotes e áreas vips e as classes C,D e E que enchem a pista já que a instalação do palco privilegia a visão de todas as classes. Inclusive alguns artistas fazem esta exigência em contrato. Mas o que une todas as classes é a música sertaneja atual.

 

Qual a maior dificuldade encontrada hoje na produção de eventos?

São várias e ficam cada vez mais complicadas. Citaria por exemplo a questão da estrutura, pois existe uma restrição devido a falta de espaços intermediários como boates, clubes e casas para um publico de até 1,5 mil pessoas. Atualmente em boa parte da Região existem apenas locais para mais de quatro mil pessoas como sindicatos rurais, o que exige um maior tempo de trabalho das musicas do artista pois encher estes espaços demanda uma estrutura completa de um grande show com custos elevados. E mais: como a maioria dos locais não tem cobertura e na região do Alto Paranaíba e Triangulo Mineiro chove em boa parte do ano, o cenário de datas fica ainda mais restritivo. Outra dificuldade é a questão legal que envolve a entrada de menores. Existe um acirramento por parte da Justiça nestas liberações. Tudo isso aliado a Conselhos Tutelares desqualificados e despreparados (com formação política e não técnica)  para enfrentar o problema do menor que é infinitamente maior do que a presença dele em festa. Curiosamente não se vê este acirramento por parte da Justiça em outras questões como quando o menor é usado no tráfico de drogas, quando pode colaborar com a renda familiar, mas se vê impedido de trabalhar com carteira registrada e ou freqüentar um show de sua preferência onde teoricamente é mais fácil a fiscalização e a ação por parte da Policia Militar e de outras instituições envolvidas na verdadeira proteção ao menor. Existem dados que mostram que na maioria dos shows cerca de 40 % do público é essencialmente de jovens na faixa etária entre os 16 e 18 anos. É uma contradição  o menor com 16 anos poder votar, mas ser impedido de freqüentar um show.

 

Considera que os cachês cobrados pelos artistas são exageradamente altos? Por que?

Os cachês estão surreais e acredito que existem algumas pistas para este exagero. Alguns escritórios não priorizam a relação com rádios e a longevidade da carreira do artista, querem retorno imediato. Estão sendo feitos investimentos gigantescos sem estratégia o que cria uma busca pelo retorno rápido que atropela e instabiliza ainda mais o mercado. Muitos artistas e empresários demonizam rádios crendo na inverdade que apenas “se pagar, toca” e esquecem da relação de parceria e diálogo intermediada pelos divulgadores e o  “velho e bom” cumprimento de palavra.  Do outro lado, as rádios reagem, porque tocam, arriscam, pagam direitos autorais  através do suspeito Ecad – indistintamente – e quando fazem um show o risco é tão alto por causa do cachê desproporcional que muitas vezes sobram apenas despesas e desgaste. Sem falar em um custo absurdo que inventaram: o transporte, uma ironia com o contratante que atualmente não paga apenas pelo ar que o artista respira. Conheço uma situação de um escritório de Goiania que cobrou R$ 25 mil de transporte para teoricamente trazer o artista e equipe a Patrocínio, sendo que os mesmos estavam há apenas 70 KM do local do show, em uma fazenda se divertindo. E mais tarde apurou-se que o custo inventado de ultima hora foi uma maneira de diminuir o impacto negativo de outros dois shows que o artista faria em seguida nas cidades de Ituiutaba e Rio Verde em Goiás e que dariam prejuízo. Brincar com gente séria resultou que o valor foi pago, mas a falcatrua foi descoberta e o artista saiu da programação da emissora que estava vinculada ao show, de modo que ele tenta voltar há cerca de um ano e não consegue, e desde então vários shows com outros artistas foram feitos na cidade e nas proximidades. Ou seja, este artista deixou de faturar em uma praça em que ele era soberano por pura desonestidade. E antes deste episodio nenhum centavo havia sido cobrado para tocá-lo.

 

Na sua opinião, quais as consequências dessa tendência de supervalorização dos cachês?

Uma mudança no mercado, lenta, mas que está se consolidando cada vez mais. Os ditos grandes vão se restringir a capitais ou centros maiores que normalmente estabelecem prazo de validade para certas carreiras, enquanto que os menores vão faturar cada vez mais no interior. Os promotores de eventos de cidades intermediárias que não fazem show com dinheiro público de prefeituras em cidades com 100 mil habitantes, por exemplo, estão enxergando que é melhor se dedicar a artistas que são promessa do que os nacionais que obrigam a espera por meses para uma confirmação, o que gera uma insegurança absurda no meio que precisa se preparar para o evento com a locação de seguranças, estrutura, contato com patrocinadores, escolha da data certa, etc, Os grandes sempre procuram uma opção “melhor” em cidades maiores. Os empresários que tem artistas com perspectiva de futuro na música, mas sem um investidor e que sofrem um boicote descomunal nos grandes centros por parte dos grandes escritórios estão entendendo isso e saindo na frente ao se apoiarem em emissoras populares e sérias que garantem a sobrevivência no interior do Brasil. Hoje tem determinados artistas que apesar de renomados não são mais tocados em rádios do interior justamente por não haver a menor perspectiva de negócio, seja em promoção ou show. É comum ouvir a frase de alguns arrogantes e despreparados “ a rádio tem que tocar o meu artista, senão a audiência dela cai”. Este pensamento vai acabar com carreiras e escritórios consideradores grandes hoje, porque a rádio profissional é que faz o artista, quando ela se dedica de verdade e tem retorno por parte do escritório, a parceria tem muito mais chance de dar certo. Ninguém é obrigado a fazer show com rádio, mas a rádio nem de longe é obrigada a tocar artista que não é parceiro. Não importa se ele aparece todo domingo em programas de televisão famosos, porque os experientes sabem que televisão não é determinante para a carreira de sucesso ou fundamental para que a mesma prevaleça.

 

Como você contorna esse problema?

Com profissionalismo, cada vez mais e acreditando na máxima de que artista bom com repertório bom, com empresário que entende do meio e com os divulgadores certos deve ser tocado com ou sem verba. É preciso ter uma agenda flexível, que facilite na hora de negociar um show e que o responsável pela agenda entenda como funciona o Brasil e suas diversidades regionais e quais são os contratantes responsáveis nesta dura caminhada chamada sucesso. Uma alternativa viável são os escritórios que fazem portaria sem garantia com rádios, porque estabeleceram que a confiança é uma via de mão dupla, ou seja, os contratantes (rádio e promoter) precisam dar resultado para o artista e vice e versa.

 

Fique à vontade para fazer suas considerações finais!

A música além de ser um negócio, é também uma alegria. Acredito que o artista deve entender sua responsabilidade junto as pessoas, ou seja, são exemplos e quando fazem apenas musicas ligadas a baixaria, podem até fazer sucesso, mas é algo passageiro. Tenho percebido que quando o tempo passa o que fica no imaginário popular são músicas que falaram ao coração e não modismos de ultima hora que apenas divertem. O artista que pretende formar uma legião de fãs deve ser eclético e fazer de tudo um pouco, porque apenas diversão é descartável para uma juventude cada vez mais ansiosa por novidades.

 

Agradecemos a Leid, nossa parceira. Fiquem ligados, na próxima sexta-feira tem mais Dial na Web, com outros profissionais falando sobre esse mesmo assunto!

 

13 nov / 2012

Nesta semana, no Dial na Web, você vai conferir aqui no blog da Navegador uma publicação sobre o mercado de entretenimento e as dificuldades encontradas por rádios e produtoras para realizar e promover eventos em Minas Gerais. O dilema mais comentado tem sido a supervalorização dos cachês de artistas.

Conversamos com profissionais deste segmento e na sexta, 16/11, publicaremos a primeira parte da matéria. O assunto é tão extenso e polêmico, que dividimos em duas partes! Na sexta seguinte, 23/11, serão publicadas mais entrevistas e informações. Aguarde!

 

Agenda
Aniversários do mês
  • Maurília da Sal FM, Salinas
    02/01
  • Kássio da Vinícola FM, Andradas
    05/01
  • Fábio da rádio Itatiaia, Varginha
    09/01
  • Carmélia Sampaio da rádio Aranãs FM, Capelinha
    13/01
  • William da rádio Fama FM, Carandaí
    15/01
  • Adriano Neves da Líder FM, Araçuai
    16/01
  • Nicanor da rádio Atividade FM, Muzambinho
    18/01
  • Graziano da rádio Veredas, Lagoa da Prata
    21/01
  • Beto da rádio Circuito das Águas, Caxambu
    23/01
  • Marcos Paulo, da rádio Queluz FM de Conselheiro Lafaete
    23/01
  • Roni, da Onda Norte FM, Janaúba
    23/01
  • Fernando da 98FM, Muriaé
    24/01
  • PH da Montana FM, Monte Belo
    26/01
  • Caio César da rádio Criativa, de Martinho Campos
    29/01
  • Diego da rádio Itatiaia, Varginha
    29/01
  • Seluana da Solar FM, Juiz de Fora
    29/01
Peça o show na sua cidade

Aqui é seu espaço para sugerir o show que você gostaria de ver na sua cidade.

Sorteios

Faça seu cadastro e concorra a ingressos dos seus shows favoritos.

Participar