Navegador Música
30 jan / 2013

Por: Thais Wadhy

 

Publicado em 29/01 às 13:59hs. Atualizado em 30/1.

 

A matéria de destaque de todas as páginas de notícias das regiões sul e sudeste do Brasil é a mesma: a tragédia de Santa Maria, os envolvidos, os erros, os presos, o sofrimento das famílias, a vida que cada um daqueles jovens ainda tinha pela frente. Claro que um acontecimento como esse choca a nossa sociedade, assim como tudo aquilo que é inesperado, interrompido de forma brutal. Mas arrisco a dizer que há certo sensacionalismo da mídia, exaltando os fatos que contribuem para maior visibilidade de seus sites: querem se vender.

Pra piorar, o FaceBook virou palco de atos bizarros. Primeiramente, pessoas publicando as lamentáveis fotos de corpos estendidos no chão; agora, começam a ser compartilhados os posts e comentários grotescos de “espíritos de porco” que, pelo Brasil afora, fazem piadas de mal gosto com o sofrimento alheio. Agora, militantes virtuais que aproveitam a deixa para reclamar das tantas mortes pelo Brasil afora, de índios, negros, miseráveis…. que não tem toda essa repercussão na mídia. Sem contar os religiosos sem um pingo de bom senso que têm dito por aí que tudo não passou de uma punição para aqueles que se divertem ao invés de rezar – queimaram no fogo do inferno. Triste ler tudo isso.

Hei de concordar com Martha Medeiros. Pessoas de bom senso são espécies em extinção. O fato é: aconteceu uma tragédia, ela merece ser discutida pela sociedade, não com enfoque grosseiro ou sensacionalista, mas com enfoque responsável e construtivo: e agora, José?

A verdade é que o ocorrido traz à tona uma discussão importante para quem trabalha no mercado de entretenimento, com produção de eventos, shows ou montagem de estruturas: até quando a economia e o lucro serão mais importantes que a vida e a integridade física do público?

Há anos trabalho com produção de eventos. Não é fácil para quem quer sobreviver nesse mercado: são muitas taxas a serem pagas, como taxa de incêndio,  alvarás, ART’s, projeto dos bombeiros (que incluem saídas de emergência), entre outras. Mesmo em casas noturnas, inúmeros são os gastos para liberação do espaço, e a estrutura precisa ser pensada de forma a garantir a segurança.

Nas grandes cidades, a fiscalização é mais intensa e acaba sendo mais difícil “burlar” as regras. Ainda bem, posso dizer. Mas há protestos por parte dos produtores, que acabam por pagar  preço: os custos do evento aumentam muito e, assim, mais ingressos precisam ser vendidos (a um preço mais elevado) para não correr o risco de levar prejuízo. Ainda assim, muitas vezes é o que acontece: a receita não consegue superar os custos e os produtores pagam o pato. Mas é o risco do negócio: pode-se ganhar muito dinheiro também se o evento for um sucesso.

A verdade é que não se pode colocar em risco a vida das pessoas como forma de garantir o lucro. Diminuir custos deixando de pagar taxas ou projetos de incêndio é economia porca, à base de sacrifícios humanos e elevados custos de cunho ético e moral. O mesmo vale para o aumento abusivo da receita com base na superlotação do local – que dá no mesmo. A saída não é essa.

“Qual a saída?”, vocês podem me perguntar. Não há fórmula para o sucesso, e eventos são sempre incertos, mas arrisco dizer: é preciso pensar e projetar eventos sustentáveis e inovadores, capazes de cativar o público.  Eventos com conteúdo. E, principalmente: parcerias. Todos saem ganhando. Unir forças é a melhor maneira para sobreviver num mercado altamente competitivo e de tantas incertezas. Não conseguiu as parcerias e patrocínios que gostaria? Não conseguiu pensar num projeto sustentável? Então não faça o evento “a qualquer custo”. Ele pode ser caro demais, a exemplo de Santa Maria.

 

Em BH, algumas casas noturnas já estão tomando fazendo reformas e se ajustando às normas de segurança. Veja: http://www.bhaz.com.br/boates-de-bh-fecham-para-reformas-e-divulgam-comunicados-apos-tragedia-no-sul-do-pais/

 

Categorizado como: Assuntos diversos, Notas

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