Navegador Música
19 jul / 2018

Foto: Rodolfo Magalhães

Aretuza Lovi tem tantos atributos e sua musicalidade é tão rica que para desavisados poderia soar como um quebra-cabeças de influências de empresários, pessoas do showbiz e fenômeno de rede social. Mas a cantora drag goiana é uma Artista de verdade (com A maiúsculo). Nasceu musical, cresceu e trabalhou em empreitadas musicais, principalmente no sonoro Nordeste, e se fez artista em 2012. A prova dessa realidade musical é seu primeiro álbum cheio, “Mercadinho”, que é lançado agora pela Sony Music com participações bem especiais.

Entre 2012 e 2016 ela viveu a formação de personalidade própria musical. Trazia muita influência do tecnobrega principalmente, por ter morado em Belém do Pará, e lançou dois EPs: “Popstar” e “Nudes”, mas estes não tiveram larga repercussão. O jornal O Globo fez uma matéria de página inteira com ela, a apresentadora Marilia Gabriela leu e a entrevistou, o que trouxe um novo fôlego de repercussão. Até que em 2016 ela mostrou, sem muita expectativa, a música “Catuaba” para Gloria Groove.

A amiga viu ali a virada de chave que faltava, todos os elementos que ela possuía em doses fortes bem representados, do batidão pop ao texto que exprime a verdade sem entrar em vitimização. Gravaram a música, o clipe e virou seu primeiro hit, sendo uma das mais tocadas no Carnaval de 2017.

Era a fagulha que faltava para acender a fogueira “Mercadinho”.

O nome do álbum, aliás, faz referência a um trecho da música “Catuaba” e é representativa da filosofia musical de Aretuza. “Continuo amando o tecnobrega (a música que fazia no começo de carreira), mas dentro do mercadinho existe uma variedade de produtos. O que faço hoje é um milk shake de música”, diz.

De cara, na primeira música e primeiro single, suas palavras tornam-se reais. “Joga Bunda” cita na letra tanto o mercadinho quanto álbuns dos convidados a participar da música, “ Vai Passar Mal”, de Pabllo Vitar, e “O Proceder”, de Gloria Groove, e é impossível de classificar entre funk, batidão, forró e hip hop. É pop ao extremo.

Assim como “Não Quero o Seu Din Din”, que de tantas vertentes vai mais para o trap funk.

Valesca Popozuda é a participante especial de “Batcu”, uma espécie de funk com doses de arrocha, e aí temos uma virada para a classuda voz de Iza (e que voz), que desvia para o reaggaeton “Movimento”.

As duas músicas seguintes mostram uma abertura de espacate de gêneros poucas vezes visto na música brasileira. “Arrependida” traz um forró eletrônico meio lambada com participação de Solange Almeida e na sequência vem uma balada confessional em voz e piano, “Amor Mutante”, onde Aretuza escreve sobre história que ela própria viveu, de preconceito e afirmação.

“Que Não Falte Amor” traz igualmente mensagem positiva em synth pop, tem o pancadão “Bambolê”, mais um synth pop com funk, “Pisa Menos”, e um quase rap gangsta em “Quem Dá o Papo”.

Produzido por grandes nomes, que trabalham com Iza e Pabllo Vitar, entre outros, como Sergio Santos, Pablo Bispo e Ruxell, coube ao último fazer os remixes de dois sucessos de Aretuza que completam o álbum, “Catuaba” e “Vagabundo”.

“Esse (“Mercadinho”) é o projeto da minha vida. Então tenho que passar minha verdade”, classifica Aretuza sobre o disco. Haja verdade e haja musicalidade.

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