Navegador Música

Arquivo de dezembro, 2012




27 dez / 2012

27 dez / 2012

2012 foi o ano das onomatopéias e das letras e ritmos “chicletes”. Músicas com refrões estilo “tche tcherere tche tche”, “Tchu tcha tcha”, “Lê lê lê”, “Bará berê”, “Parapapapá” estiveram entre as mais tocadas nas rádios populares e sertanejas de Minas Gerais. O hit “oi, oi, oi” , tema de “Avenida Brasil” – novela campeã de audiência e de preferência do público, vencedora de diversos prêmios da TV brasileira – também foi destaque em popularidade, além do technobrega de Gaby Amarantos, que também foi tema de trama global. Poderíamos citar outros milhares de sucessos, como “Camaro amarelo” (entre os mais vistos do YouTube) e Gangnam Style.

As críticas a esses estilos considerados efêmeros, de sucesso rápido e astronômico, têm sido crescentes. “Muito de tudo isso só conferindo por dever de profissão”, diz um crítico do site Uol Entretenimento, em artigo publicado neste site. “Lamente-se apenas que a música clássica e também a instrumental continuem lá na rabeira das paradas de sucesso, traço nas planilhas dos analistas do mercado”, continua. Será o fim das canções ou apenas uma tendência passageira do mercado?

Apesar dos polêmicas e dos percalços, muita coisa bacana foi produzida este ano. Para citar alguns artistas de estilo comercial, daqueles que tocam em rádios, temos Thiaguinho e Péricles que, após deixarem o Exaltasamba, seguiram carreira solo e tiveram diversos sucessos emplacados durante o ano. Atualmente, trabalham as músicas “Ousadia e Alegria” e “Minha razão”, respectivamente. Dentre as duplas sertanejas, alguns artistas fugiram da tendência “arrocha” (ainda que tenham em seus shows canções neste estilo) e produziram canções belíssimas: Israel & Rodolffo, George Henrique & Rodrigo, Henrique & Diego, além dos artistas já consolidados, como Jorge & Mateus, Vitor & Leo, Zezé di Camargo & Luciano, dentre outros. Naldo, o fenômeno pop, levou multidões ao delírio com “Exagerado”, Chantilly” e “Amor de chocolate”, além de estar entre os artistas mais tocados do estado.

E aqui finalizo como advogada do diabo: mesmo aqueles que optaram pelos hits efêmeros têm seu mérito: fizeram muita gente dançar e se divertir em shows, em casa ou naquele “churrasquinho na lage”. Afinal, dá para condená-los? Cada música ou estilo mexe com o público de formas distintas. Se não com o corpo, com a alma ou com o coração. O que vale é deixar-se levar pela emoção.

 

 

26 dez / 2012

“Será que a viola casa bem com o cavaquinho?
Será que sertanejo combina com o pagodinho?”

Assim começa “Demais da conta”, de Israel & Rodolffo. A música, que já virou sucesso em várias regiões do Brasil, conta com a participação do Thiaguinho, o “príncipe do pagode”. A proposta é misturar os dois ritmos e, consequentemente, os dois públicos. Assim já fizeram Michel Telo com Sorriso Maroto (É ‘nóis’ fazer parapapá), Bruno & Marrone com Michel Teló, Daniela Mercury com Fat Boy Slim, Marcelo D2 e muitos outros artistas: misturar ritmos e batidas para criar diferentes sonoridades em prol da boa música. Afinal, as pessoas podem ter gostos ecléticos e curtir diferentes estilos; então para que segregar?

O grupo Sambô vem com uma proposta também arrojada: numa “roda de samba”, tocam grandes clássicos do pop e rock no ritmo de samba e pagode, à moda brasileira. Janis Joplin, U2, Maroon5, Raul Seixas: vários grandes nomes da música ganham releituras com o jeito dançante e despojado do grupo.

Mais ou menos na mesma linha do Sambô, o Beat Samba House Music  mistura a música eletrônica com vários outros estilos musicais, todos executados em ritmo de samba. De acordo com o vocalista, Rodolfo Pavan, a Beat Samba House Music se diferencia do Sambô no repertório, porque prioriza sertanejo universitário, pagode e música eletrônica. Os arranjos também são diferentes, numa pegada mais “samba-swing”, com levadas de violão e a mistura de música eletrônica.

Misturas criativas são sempre bem vindas; essa forma de transformar ritmos e estilos traz para o mercado novas propostas musicais, uma musicalidade diferente, que só vem a somar. E a música brasileira agradece.

26 dez / 2012

FONTE: Terra

 

O vilarejo de Pinggy, localizado a uma hora da capital Pequim, vai receber cerca de R$ 4,6 bilhões nos próximos dez anos para se tornar o Vale da Música da China. Segundo informações publicadas pelo jornal britânico The Guardian, a ideia é concentrar na área estúdios de gravação, fábricas de instrumentos musicais, escolas voltadas para o ensino da arte, um hotel cinco estrelas e uma arena em formato de pêssego para a realização de shows.

“A música é um tipo de arte tão intangível. Agora, com este projeto, queremos transformá-la em algo que se possa ver e tocar”, explica o oficial do Governo chinês Zhao Wei, 30 anos, responsável por dirigir a iniciativa até o mês passado. O motivo para a realização do ambicioso projeto é que a China passou a ver com preocupação o fato de seu progresso nas artes não ter acompanhado o econômico nos últimos anos. Agora, o setor passa a ser visto com prioridade no país, com promessas de serem injetados bilhões de dólares para subsidiá-lo.

Uma frase proferida pelo presidente Hu Jintao em novembro ilustra bem o novo pensamento: “a cultura é o sangue vivo da nação”.

O anúncio vem acompanhado de lentas, porém concretas, melhoras no setor. Com uma taxa de pirataria que já foi “virtualmente de 100%”, de acordo com a Federação Internacional da Indústria Fonográfica, e um controle governamental sobre tudo o que é produzido no país, o Governo criou, no ano passado, um comitê para reforçar as leis de propriedade intelectual locais – o que incluiu começar a cobrar por downloads de músicas feitos na China. A mudança gerou, na comparação entre 2010 e 2011, aumento de 23% nas vendas de canções online. Além disso, nos últimos anos houve um boom de festivais de música no país.

No entanto, ainda há muito a ser feito. Por exemplo, há anos gravadoras major do mercado têm se mostrado desesperadas para adentrar o território chinês – Warner, Sony e Universal já possuem escritórios no país. No entanto, barreiras impostas pelo Governo tornam difícil a entrada de investidores internacionais no gigante vermelho.

Além disso, em vez de investirem em novos talentos, Governos usam verbas de incentivo à cultura para construir teatros e arenas. “Nenhum dinheiro vai para os artistas e, sim, para os intermediários”, lamenta Scarlett Li, fundador de um festival organizado na China, para quem falta no país desde compositores até músicos e bandas para manter o mercado aquecido. “Mas esses intermediários não estão no centro da criação de conteúdo. Nada disso faz sentido para mim.”

E os artistas sentem diretamente na pele tais problemas. Vocalista da banda pequinesa P.K. 14, Yan Haisong disse desconhecer alguém de seu círculo profissional que tenha se empolgado com a ideia de se criar o Vale da Música. “Combinar música com política é muito estranho. Se eles querem melhorar a cultura, precisarão, na verdade, se abrir um pouco mais”, opinou.

 

Publicado originalmente em: http://musica.terra.com.br/china-investira-r-46-bilhoes-para-criar-vale-da-musica,cbe90e55328db310VgnVCM3000009acceb0aRCRD.html

26 dez / 2012

21 dez / 2012

Apesar dos boatos e dos receios, acordamos sãos e salvos hoje, dia 21/12, data prevista para o mundo se acabar, de acordo com o calendário Maia.  Nas redes sociais, o assunto foi amplamente comentado.

O fim do mundo já foi tema de muitas músicas. Relacionamos algumas aqui, confira:

21 dez / 2012

Confira a nova música de trabalho de Leonardo.

 

Leonardo – Sem vergonha e sem juízo

21 dez / 2012

 

Difícil escolher num imenso leque de opções, de tantos radialistas, locutores e jornalistas, as vozes que fizeram e continuam a fazer história em Minas Gerais; vozes que vivenciaram as transformações do rádio ao longo dos anos e que tiveram suas vidas influenciadas ou mudadas pelo rádio. Gostaríamos de homenagear inúmeros profissionais que trabalham no rádio e que são exemplos de profissionalismo e competência.

Mas temos a certeza de que nossa homenagem a alguns dos ícones deste segmento em cada região das Gerais neste projeto “As vozes de Minas” vai contemplar os outros tantos talentos que trabalham nos 856 municípios do estado, nas diversas emissoras, cada uma com seu público e perfil.

A primeira entrevista do nosso projeto “As vozes de Minas” foi com José Maria Campos. Jornalista e radialista, trabalha na Difusora, de Patrocínio (pertencente ao Sistema Difusora) há quase 50 anos. É uma vida! Com certeza, tem muita história pra contar. Um profissional que, além de muita bagagem e conhecimento, traz consigo humildade, simplicidade e simpatia.

A Difusora (98,9 FM) foi a primeira rádio da cidade, que se localiza no Alto Paranaíba. Iniciou as atividades em 1949 e, desde então, vem acompanhando as tendências de mercado e evoluindo. Dá pra saber um pouco mais sobre sua história no site:  www.sistemadifusoraderadio.com.br .

Em 1963, “Zé” Maria entrou para o quadro de funcionários da Difusora e não saiu mais. Confira um pouco de sua história no rádio.

 

Há quanto tempo trabalha em rádio e o que motivou a entrar para esse meio? Conte um pouco da sua história.

Eu tenho 64 anos de idade; entrei no rádio em 1963. Minha história é até interessante: eu era estudante na época, no ginásio Dom Lustosa, e o colégio tinha um programa na rádio Difusora para divulgar as coisas do colégio, era meia hora. E tinha um grêmio no colégio e o diretor do grêmio escolhia um aluno para vir na rádio ler alguma coisa. Como eu era presidente do grêmio da minha sala, o presidente do grêmio geral me escolheu, através da indicação do professor de português (que dizia que eu tinha uma voz boa e lia bem), para preparar a leitura e vir à rádio. O locutor abriu o programa, me anunciou.

Eu acabei de apresentar a crônica, o gerente me chamou e disse que “você tem uma voz muito boa e lê muito; você não quer fazer um teste para trabalhar em rádio?”. Eu falei “faço!”. No outro dia eu fiz o teste da emissora e ele me contratou. E estou aqui até hoje, tem quase 50 anos já.

O rádio na época, nos anos 60, estava no auge. Mas as famílias tinham um preconceito tremendo com o rádio; quem trabalhava no rádio não era visto como boa pessoa. Quando a gente ia namorar uma moça, os familiares diziam “esse rapaz trabalha no rádio, não pode namorar com ele não”. Então era assim no início, mas depois graças a Deus esse preconceito acabou…. Em 1978, nossa profissão foi reconhecida, através do Governo Militar. Até então não era, hoje nós temos registro profissional, fizemos cursos de reciclagem e tudo.

O rádio é uma cachaça, vicia! Rádio é cultura, é eterno saber, eterno aprendizado. A gente está sempre aprendendo… com os que estão chegando, com os que estão saindo. O rádio nos comove, nos prepara para lidarmos com as emoções, pois lidamos com a morte e, infelizmente, até com a desgraça alheia. O rádio, para nós, é uma vida! E a gente morre falando; já aposentei e continuo falando!

Mas também enfrentamos muita polêmica. Já fui detido três vezes na época do golpe militar. A gente debatia em favor da liberdade durante o governo militar. Na época da censura prévia, em 1968, instaurada a partir do Ato Institucional 5, tudo o que a gente fizesse no rádio tinha que ser gravado antes; tínhamos que gravar todos os programas e, principalmente, noticiários antes e mostrar para a censura antes de colocarmos no ar. Isso revoltou o pessoal do rádio, e fizemos alguns comentários sobre o assunto e fomos detidos e torturados psicologicamente. Sofremos muito com os anos de chumbo. Mas graças a Deus passou, os anos de chumbo passaram e hoje está tudo bem. Hoje repudiamos qualquer tipo de anti-democracia. Atualmente, andam querendo regular a imprensa, mas não aceitamos de forma alguma. Nós, da imprensa, não aceitamos a censura.

 

O que mudou nesse meio desde que começou a trabalhar em rádio até agora?

Muita coisa. O preconceito, foi o primeiro. Como disse, nos anos 50 e 60 as pessoas tinham preconceito contra quem trabalhava no rádio. Hoje isso mudou bastante. Mudou também a valorização do profisisonal do setor, do radialista.

Mudou o esquema de trabalho, porque hoje temos liberdade para trabalhar, liberdade para perguntar e responder e para focalizar qualquer assunto que quisermos, graças ao sistema democrático. Hoje o rádio não aceita nenhuma imposição de poder, não é porque temos nossas próprias leis não…. e nem porque estamos “acima do bem e do mal”…. é porque queremos apenas esclarecer e mostrar pro público o que está acontecendo nos bastidores, o que está por trás de tudo: da política, da sociedade. E o povo, a população, aprendeu a admirar o nosso trabalho. Isso mudou muito. Hoje, nosso trabalho é reconhecido; claro que isso quando há uma imprensa transparente, imparcial e que ouve os dois lados da história. É o caso da Difusora, que faz 63 anos (AM/FM): temos credibilidade.

 

E o que mudou na sua vida de lá pra cá?

Mudou muita coisa. Através da nossa profissão, no rádio, aprendemos a ser mais humanos de tanto ver coisas incríveis acontecendo; humanizou nosso espírito e nos fez crescer bastante frente às intempéries da vida. Encaramos as coisas de forma mais humana. Por outro lado, nos revolta ver tanta injustiça. Hoje temos mais consciência das justiças e injustiças; lutamos pela justiça. Aprendi muitas virtudes nesses sentido e, principalmente, a virtude da gratidão.

 

Você acha que a internet representa alguma ameaça ao rádio?

Nunca! Nunca foi e nunca será; ao contrário, é uma ajuda para o rádio. Para nós, é espetacular. Hoje temos tudo, temos vários recursos, fazemos tudo pelo computador. Há 30, 40 anos não tínhamos nada disso, fazíamos tudo na base vontade de trabalhar, na garra. Hoje temos auxílio da tecnologia. O trabalho que eu gastava 8 horas para fazer, gasto 4. Mesmo sendo radialista antigo, procurei evoluir com o tempo. A internet não é nenhuma ameaça para o rádio, ao contrário: é uma ajuda para a comunicação.

 

Quais as maiores dificuldades enfrentadas para quem trabalha com rádio?

A política. Quando a política é bem exercida, é muito boa. Mas, infelizmente, nos tempos atuais, a política é mal exercida por uma minoria. E como queremos levar a ação dos políticos para a população, divulgá-las, esses mal políticos são contra a imprensa. Quando divulgamos uma ação não muito bem feita por políticos para a população, sofremos processos; eu já passei três processos, por exemplo, mas provei o que estava dizendo e deu tudo certo.

A nossa maior dificuldade é enfrentar o mal poder político, eles não aceitam nossas críticas. Só querem elogios. Quando criticamos, eles se revoltam contra nós e nos ameaçam. Há outras dificuldades, mas essa é a maior. O rádio é um meio de comunicação muito forte, 80% da população aqui escuta rádio. Não gosto dessa expressão, mas somos considerados “formadores de opinião”; mas levamos informações e opiniões para a população. Então…. a repercussão daquilo que falamos é grande.

 

Uma mensagem que é um norte para sua vida.

Imparcialidade. Seja imparcial no julgamento dos fatos, na construção de suas matérias. Sendo imparcial, a valorização do profissional é maior; imparcialidade é a palavra chave da imprensa.

 

Agradecemos a entrevista, “Zé Maria”! Fique à vontade para fazer suas considerações finais.

Agradeço a vocês pela escolha, fico grato. Parabéns pelo site que criaram, que vai abordar outros assuntos ligados ao rádio, isso valoriza o rádio e nós profissionais. Nosso muito obrigado, estamos sempre à disposição para outras entrevistas.

20 dez / 2012

Em entrevista, a cantora Maria Rita fala sobre carreira, sucesso e maternidade. Confira.

 

 

Segunda parte

Terceira parte

 

20 dez / 2012

FONTE: Uol Entretenimento

 

 

Quem vê Marissa Martinez no palco de um show da banda de grindcore Cretin pode imaginar que ela é só mais uma mulher que venceu as barreiras do preconceito e conquistou seu espaço com a guitarra em punhos e os agressivos vocais guturais. E está certo. Em termos. Marissa é sim uma mulher liderando uma banda de metal extremo, em um ambiente amplamente machista e muitas vezes preconceituoso. O detalhe é que, há apenas cinco anos, Marissa era um cabeludo e barbudo, chamado Dan.

A norte-americana de 37 anos se declara a primeira transexual do metal extremo – pelo menos, a primeira a abrir o jogo em relação ao tema. Em 2007, Dan resolveu passar a Marissa, pondo fim a anos de sofrimento e negação que vivia na vida pessoal, que não a permitia ser o que ela chama de “eu mesmo”. O longo processo de transformação, que envolve cirurgias, tratamento hormonal e psicológico, foi vencido. Uma coisa, no entanto, permanece a mesma, a sua dedicação à banda. De saia, decote e maquiagem, mas com os mesmos vocais guturais de outrora, a novidade é o apoio de antigos e novos fãs e até cantadas dos mais atirados.

“Eu tinha de fazer isso para poder viver minha vida autenticamente, como eu mesma”, explica Marissa ao UOL, resumindo em poucas palavras a experiência complicada vivida desde a adolescência. “É muito mais complicado que isso. Eu não acordei uma manhã com a súbita ideia de que seria divertido passar por tudo isso. Foi uma experiência de sentimentos incrivelmente complexos e confusos, desde minha puberdade.”

 

Conflito interno e epifania

Filho de um guitarrista de uma banda local de rock em San Jose (EUA), Dan cresceu com a expectativa de seguir o mesmo caminho e ganhou um violão aos cinco anos, após a morte do pai. Foi apenas quando passou a andar de skate que a música lhe chamou a atenção, ao ouvir grupos como Metallica e Misfits, influenciando o jovem a ter sua própria banda de heavy metal – hoje, além do Cretin, é guitarrista do Repulsion, banda criada nos anos 1980 muito respeitada na cena grindcore.

Esse caminho estava sacramentado em seu futuro, mas algo incomodava Dan mais profundamente. “Quando meu corpo passou a mudar, com 11 ou 12 anos, começaram os sentimentos conflituosos. Mas eu não os entendia, não conseguia colocar em palavras. A minha família e a sociedade reforçavam minha apresentação como homem. Observando as meninas, no entanto, aquilo parecia algo mais confortável para mim, apesar de eu ainda não enxergar que ‘eu era elas’. Combinando isso com a falta de informação, nada me ajudava a enxergar que eu era uma transexual. Eu via isso apenas como uma extensão da homossexualidade, algo que me dava vergonha”, conta ela.

Dan desde a adolescência tinha a mania de se vestir com as roupas da mãe, e secretamente o fez até já ser adulto. Foi apenas aos 30 anos que a ficha caiu. “Eu mantinha um estado de negação, brigava contra os meus sonhos e escondia o ‘cross dressing’. Quando completei 30 anos, tive uma epifania. Eu me dei conta de que era adulta, que tinha de ter um nível de respeito próprio e dignidade para viver uma vida honesta. O fato de eu manter segredos de mim mesma e temer enfrentá-los me zangou de tal forma que eu não podia mais ceder ao medo”, detalha a norte-americana.

Ela precisou de um ano e meio antes de fazer a transformação, um processo de pesquisa, exploração e entendimento do que passaria, acompanhado de terapias. Já pronta, passou a tomar hormônios, mudou legalmente seu nome e sexo, fez plásticas no rosto e nos seios e, enfim, passou a viver uma vida normal. Apesar de experiências como lésbica (já como Marissa), hoje está noiva de um homem, tem um trabalho regular desenvolvendo softwares na Lucasfilm e, é claro, se dedica às suas bandas de metal.

 

Assédio dos fãs, cantadas e a reestreia com o Cretin

Apesar da “troca de figuras” no palco dos shows da banda – afinal, Dan foi trocado por uma mulher de saias e meia-calça –, o que menos mudou na vida de Marissa foi no campo da música. Assim como sua família, os companheiros de Cretin estranharam a repentina mudança. A norte-americana tentou manter a banda, mas mesmo com o apoio de todos foi decidido dar uma pausa para que ela passasse o período mais complicado.

 

Tudo isso aconteceu logo após o lançamento do primeiro disco do grupo, “Freakery”, de 2006. A banda foi criada pelos amigos Dan e Matt Widener (baixo) em 1992, influenciada por nomes como Carcass, Napalm Death e Terrorizer, pilares do grindcore – o gênero surgiu no fim da década de 1980, misturando metal extremo, punk e hardcore. Após esse álbum e uma pausa, algumas reuniões ocorreram em falso, e agora o grupo está na ativa, ensaiando e compondo para um lançamento em 2013.
Marissa admite que toda a sua transformação impulsionou a fama do Cretin, mas não tem planos de usar isso na hora de compor e mesmo em sua atuação como vocalista em estúdio e ao vivo. “Ainda não escrevi nenhuma canção sobre o que passei e não acho que vou. Seria muito óbvio. Quanto à minha voz, uma cirurgia de mudança de sexo não a afeta em nada, e nem os hormônios, já que os tomei como adulta. Eu treinei minha fala normal (para soar mais feminina), mas ainda consigo fazer os antigos vocais guturais. [No Cretin,] sou basicamente a mesma”, explica ela.

O Cretin só fez um show desde o “surgimento” de Marissa, mas o contato com os fãs e as apresentações com sua outra banda, o Repulsion, mostraram novidades para ela, algumas até lisonjeiras. “É verdade… Eu sou cantada muito mais hoje em dia! Nunca recebi uma cantada no passado, e hoje os homens realmente caem em cima”, admite Marissa.

Apesar de saber que o metal extremo muitas vezes sofre com fãs de mente fechada , Marissa diz que não tem sofrido grandes preconceitos. “A vez que realmente me pegou foi quando completos estranhos gritaram algumas bobagens na rua. Na internet, sempre há alguns comentários negativos, mas tento não dar atenção. Além disso, meus fãs aparecem rapidamente e os calam. Sinto-me amada, não tenho nem como retribuir aos meus fãs pelo apoio”, adiciona.

Marissa esbanja orgulho de ter conseguido soltar as amarras do passado, mas não se vê na missão de passar grandes lições de moral com sua história ou levantar bandeiras a favor da causa. “Quem já é contra transexuais não se comoverá por minha causa. Quem tem a mente limpa sobre o assunto, talvez. Não vejo lições particulares, mas uma junção de coisas que ultrapassa aquelas frases batidas como ‘trate os outros como quer ser tratado’ ou ‘apesar das diferenças, somos todos iguais’. A minha transição foi única, mas acho que cada pessoa vive mudanças de um tipo próprio e é isso o que nos ajuda a definir e entender a nós mesmos”, conclui.

 

Clique aqui e veja vídeos da banda e a matéria na íntegra.

 

Originalmente publicado no site da Uol Entretenimento: http://musica.uol.com.br/noticias/redacao/2012/12/21/pioneira-no-metal-extremo-transexual-rompe-barreiras-mantem-urros-e-e-ate-cantada-por-fas.htm

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